Para ciência, não gostar de coentro é algo justificável

NOVA YORK, EUA. O partidarismo a certos alimentos nem sempre chega ao mesmo nível de raiva do partidarismo político, exceto no partido “anticoentro”. As partes verdes da planta que fornecem as sementes parecem inspirar uma repulsa primitiva entre os consumidores declarados do coentro.

A sofisticação culinária não é garantia de imunidade à aversão ao coentro.Em uma entrevista em 2002, Larry King perguntou a famosa culinarista Julia Child quais alimentos ela detestava. “Coentro e rúcula eu não gosto de jeito nenhum. Todos dois são ervas verdes e, para mim, têm um gosto meio de coisa morta”. disse ela. “Então você nunca pediria isso?”, perguntou King. “Nunca. Eu tiraria essas ervas do prato e as jogaria no chão”. respondeu ela.

Para ciência, não gostar de coentro é algo justificável

Julia Child tem muitos companheiros no seu desgosto ao coentro (a rúcula parece ser menos desagradável). O livro “Oxford Companion to Food” (Companheiro da Comida Oxford) destaca que a palavra “coentro” é derivada do grego para percevejo, que seu aroma “é comparável ao cheiro de lençóis infestados por insetos” e que “os europeus geralmente têm dificuldade em superar sua aversão inicial a esse cheiro”. Existe até uma comunidade “Eu Odeio Coentro” no Facebook com milhares de fãs e um blog “Eu Odeio Coentro”.

Apesar disso, o coentro é alegremente consumido por milhões de pessoas de todo o mundo, particularmente na Ásia e América Latina. E os portugueses colocam mãos cheias dessa erva em suas sopas.

Hipótese. Algumas pessoas talvez sejam geneticamente predispostas a não gostar de coentro, segundo estudos de Charles Wysocki do Centro de Sentidos Químicos da Filadélfia. Mas genética coentrofóbica continua pouco conhecida. Enquanto isso, a história, a química e a neurologia têm acrescentado peças importantes a esse quebra-cabeças. A planta do coentro é nativa do leste do Mediterrâneo, e os cozinheiros europeus usavam tanto suas sementes quanto suas folhas nas eras medievais.

Helen Leach, antropóloga da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, rastreou as observações depreciativas sobre o gosto do coentro e a etmologia do percevejo.

Segundo a antropóloga, o termo depreciativo começou a ser utilizado nos livros de jardinagem ingleses e franceses do século XVII, quando os pratos medievais começaram a sair de moda. Ela sugere que o coentro foi menosprezado como parte de um esforço geral para se definir a nova culinária europeia excluindo-se os aromas antigos.

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