O Regresso, Leonardo Dicaprio e o Oscar – Será que agora vai ?

Quero começar este texto com um alerta. Se você pretende ver “O Regresso”, vai precisar de duas coisas: paciência e estômago. Porque não é para os fracos acompanhar as duas horas e quarenta minutos de cenas fortíssimas de sofrimento, violência, situações extremas de sobrevivência, entre outras, vividas por Leonardo DiCaprio.

Não à toa o filme é líder de indicações e favorito ao Oscar este ano (foram 12 no total), incluindo melhor filme, (levou o Globo de Ouro na categoria) e melhor ator (será que agora vai, DiCaprio?).

O diretor, Alejandro González Iñárritu, conquistou quatro estatuetas por Birdman no ano passado, mas nenhuma pelos seus atores. O filme estreia no Brasil em 4 de fevereiro e, em exibições especiais, já dividiu a opinião dos críticos e fez pessoas saírem da sala em determinadas cenas.

O longa, baseado em fatos reais, conta a história de High Glass (DiCaprio), um reconhecido explorador que foi atacado por um urso, em meados de 1820, e abandonado por seus parceiros de expedição para morrer, por ordem do traidor John Fitzgerald (Tom Hardy). O que eles não contavam era que seu desejo de vingança (e sobrevivência) seria tão grande que ele enfrentaria centenas de quilômetros para encontrar os homens que o traíram.

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E aí é que está a perturbação: o sofrimento, o frio, os ferimentos, os confrontos, e o modo como ele foi milagrosamente superando e se recuperando. Podemos dizer que foi um filme “arrastado”, com pouco diálogo e muito sangue – talvez até compense quem reclamou de “muito diálogo e pouco sangue” em Os Oito Odiados, de Tarantino. DiCaprio quase não fala durante o filme e talvez por isso tenha o esforço reconhecido desta vez. A atuação silenciosa é absolutamente expressiva, dava a impressão até de não ficar tão convincente quando ele conseguia falar. Sem contar na exigência física.

Rodado em paisagens selvagens argentinas e canadenses e fazendo apenas uso de luz natural, o filme apresenta um plano sequência de fotografia impecável, daquelas que você usaria de wallpaper (o diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki, inclusive, caminha para seu terceiro Oscar seguido).

É uma experiência extremamente sensorial. Todo som é ouvido como se você fizesse parte daquilo, a neve caindo, água, vento, até eventualmente alguma mosca que não era sequer vista; as respirações muito próximas chegavam a embaçar a câmera. Era possível perceber as pessoas tomando fôlego na sala de cinema.

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Com 41 anos de idade e 25 de carreira, DiCaprio já foi indicado cinco vezes ao Oscar (quatro como ator, uma como ator coadjuvante e uma como produtor) e esquecido outras sete. Em 1994, na categoria de melhor ator coadjuvante, por ‘Gilbert Grape: aprendiz de sonhador’; em 2005, por ‘O aviador’; em 2007, por ‘Diamante de sangue’; em 2015 como protagonista de “O lobo de Wall Street”; e este ano. Das vezes que não foi lembrado, estão: ‘Titanic’ (1997), ‘Gangues de Nova York’ (2002), ‘Prenda-me se for capaz’ (2002), ‘Os infiltrados’ (2006), ‘Ilha do medo’ (2010), ‘J. Edgar’ (2011) e ‘Django livre’ (2012), filmes nos quais foi muito elogiado pela crítica.

Se a Academia gosta de ver atores “dando o sangue” por seus personagens, acho que DiCaprio cumpriu a proposta. Se ele vai levar ou não, só cabe a nós torcer para que ele finalmente seja reconhecido. Se não for, uma perda para ele, outra para o Oscar.

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