Ipupiara-Bahia

Ipupiara é um município do estado da Bahia, no Brasil. Sua população estimada no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2004 era de 8 801 habitantes. Segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sua área territorial é de 1 330,200 km².

Visão geral

O município encontra-se encravado na microrregião de Boquira, na mesorregião do Centro-Sul Baiano, a 624 km da capital do Estado, e cobre uma área de 1 179,535 km² de acordo com a Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02), de 10 de Outubro de 2002.

O território do município é centrado numa região montanhosa. O verde das serras, um misto de vegetação da caatinga e da Chapada Diamantina, realça a paisagem natural, ofertando diversas opções para passeios ecológicos através de trilhas que dão acesso a córregos, reservatórios naturais de água doce e cachoeiras. Um deleite para pessoas que gostam de aventuras em grupo e longas caminhadas seguidas de acampamentos. Ideal também para quem gosta de esportes radicais, escalando serras ou praticando enduros motociclísticos.

Este potencial é fortalecido por outras atrações existentes nas divisas com outros municípios. Falta, no entanto, a presença dos governos Municipal, Estadual e Federal, que deveriam estabelecer condições de melhor aproveitamento das riquezas naturais, implantando vias de acesso mais confortáveis e conscientizando moradores e visitantes para a preservação ambiental, transformando todas essas condições em atrativo turístico como alternativa de geração de emprego e renda e garantindo, assim, o desenvolvimento sustentável.

Até 1958, pertencia ao município de Brotas de Macaúbas. Em 9 de agosto de 1958, foi emancipado pela lei 1 015.

Possui dois distritosː o de Ipupiara (sede) e o de Ibipetum, onde estão distribuídos mais de 70 povoados e alguns importantes aglomerados, como Sodrelândia, Pintada, Bela Sombra, Riacho das Telhas, Lagoa da Boa Vista, Pé de Serra, Baixa dos Marques, Coxinho, Vanique, Lagoa de Prudente, dentre outros.

Ipupiara e Ibipetum estava no meio do fogo cruzado quando ocorreu a guerra do sertão, nas contendas de Horácio e Militão, em 1919, exatamente na metade do caminho entre as duas cidades. Na época, dizia-se assim: a Chapada Velha (de Brotas até Ipupiara) é de Horácio e a Chapada Nova (de Ipupiara até Barra do Mendes) é de Militão.

Foi em Ipupiara, no povoado de Pintada, no distrito de Ibipetum, que foram assassinados, pela ditadura militar, em 17 de setembro de 1971, o capitão do exército Carlos Lamarca e José Campos Barreto (Zequinha), filho da região, nascido em Buriti Cristalino, em Brotas de Macaúbas. Em homenagem aos dois, Pintada possui a praça Capitão Carlos Lamarca e o Memorial dos Mártires.[6]

História

Os primeiros habitantes da região foram os índios, que deixaram pinturas rupestres que podem ser vistas até hoje nas comunidades de Larguinha e Pintada.[7] Os relatos históricos contam que o surgimento da atual cidade de Ipupiara deve-se à descoberta de jazidas de ouro e carvão. Por volta de 1792, o português Romão Gramacho fez as primeiras penetrações no solo da região, a qual chamou de “Caiam-Leda”.

Antes de ser emancipada político e administrativamente, Ipupiara pertencia ao município de Brotas de Macaúbas, mas já pertenceu a Barra do Mendes (1917-1920) e teve várias denominações: mais ou menos no ano de 1842, era chamada de Campos Belos; em 1865, Fundão; em 1906, passou a ser conhecida como Fortaleza de São João; em 1911, Fundão; em 1918, Jordão quando foi elevada a Vila; e, finalmente, em 1943 pelo decreto-lei estadual nº 141, de 31-12-1943, confirmado pelo decreto estadual 12 978, de 01-06-1944, recebeu o nome de Ipupiara.

Até 1917, Fundão (atual Ipupiara) e Barra do Mendes eram distritos de Brotas de Macaúbas. Após exercer o cargo de intendente (prefeito) de Brotas de 1914 a 1916, Militão Rodrigues Coelho solicitou, ao governador, a separação do município e a formação de outro com sede em Barra do Mendes e tendo Fundão (atual Ipupiara) e Morpará como distritos. O então governador, Antônio Muniz Sodré de Aragão, atende seu pedido e, pela lei estadual 1 203, de 21 de julho de 1917, o município é criado.

Após conhecer grande progresso econômico, os barramendenses e outros habitantes da região passaram a ser perseguidos por Horácio Queiroz de Matos e João Arcanjo Ribeiro, intendente de Brotas em 1919, que organizou uma violenta campanha contra a próspera Vila de Barra, que passou a dividir o prestígio político e a receita dos impostos com Brotas. A campanha durou cinco meses e deixou um enorme rastro de destruição e cerca de 400 mortos, de ambos os lados.

Com o caos instalado na Vila e a população cercada e morrendo de fome, Militão faz um acordo com as forças invasoras em Julho de 1919, quando da reunião da Comissão Estadual de Trégua, presidida pelo parente do coronel Doca Medrado, de Mucugê, o político José Joaquim Landulfo da Rocha Medrado, a pedido do governador Antônio Muniz Sodré de Aragão, em Lençóis. O coronel Horácio Queiroz de Matos exigiu que Militão Rodrigues Coelho fosse afastado da política local e que a sede do município de Barra do Mendes fosse transferida para o Jordão (atual Ipupiara), criado pela lei estadual 1 250, de 15 de julho de 1918. Horácio Queiroz de Matos e João Arcanjo reanexaram, informalmente, o território de Barra do Mendes ao de Brotas de Macaúbas. A extinção oficial do município se deu pela Lei Estadual 1 388, de 24 de maio de 1920.

Ipupiara recebeu os serviços públicos: Juizado de Paz, em 1911; Agência da Empresa de Correios e Telégrafos, em 1912, tendo, como primeiro funcionário, José dos Santos; Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais de Ipupiara, instalado em 13 de outubro de 1925.

O topônimo Ipupiara é derivado do tupi antigo ‘Ypupîara, que designava um monstro marinho da mitologia tupi.[8] Foi aprovado em função de se restaurar o topônimo Brotas de Macaúbas, anteriormente Brotas, que voltou em função do Decreto Estadual número 141, de 21 de dezembro de 1943, confirmado pelo Decreto Estadual número 12 978, de 1º de junho de 1944, que restaurou a antiga denominação de Brotas de Macaúbas e alterou o nome do distrito de Jordão para Ipupiara.

Ipupiara obteve sua emancipação político-administrativa pela lei 1 015 de 9 de agosto de 1958, durante o governo de Antonio Balbino de Carvalho Filho, pela lei, cria o município com sede no distrito de Ipupiara, desmembrando do município de Brotas de Macaúbas os distritos de Ipupiara e Ibipetum, este criado pela lei 628 de 30 de dezembro de 1953.

Várias pessoas se destacaram na luta pela emancipação, sob a liderança do Coronel Arthur Ribeiro dos Santos, cooperado pela equipe composta por Arlindo Alves de Almeida, Adão Francisco Martins, Aristides Pereira de Novais, Aristides Silva, Durval Sodré, José Antônio dos Santos, José Avelino, José de Almeida Sobrinho, Miguel Barreto, Osvaldo Leite da Silva e outros.

O município de Ipupiara possui o distrito sede e o distrito de Ibipetum, por onde estão distribuídos mais de 70 povoados.

Fontes: Históricos do Município e depoimentos do Sr. Moisés Arcanjo Filho.[9]

Demografia

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  • População total do município: 9 290
  • Homens: 4 743
  • Mulheres: 4 547
  • Urbana: 5 984
  • Rural: 3 306
  • Outros dados:
  • Domícilios ocupados em Ipupiara: 2 733
  • Crescimento populacional em Ipupiara: 8,77% (10 anos)
  • Em Ipupiara, temos 1,04 homens para cada mulher
  • Em Ipupiara, temos 0,96 mulheres para cada homem

Dados do Censo IBGE 2010

Distritos

Ipupiara (Sede)

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Povoados do Distrito: Alagadiço, Amargoso, Arueira, Axurê, Barreiro, Bela Sombra, Boqueirão, Brejão, Caiçara, Canastra, Chiquita, Churê, Deus me Livre, Humaitá, Jovito, Lagoa do Barro, Lagoa do Canto, Lagoa de Prudente, Macambira, Mata do Evaristo, Olho D’Água, Olho D’água do Licurí, Olho D’aguinha, Pai Inácio, Parada Um, Rio Verde, Santo Antonio, Traçadal, Umbaúba, Vanique, Veríssimo e outros.
  • População do Distrito:
  • Total: 6 255
  • Homens: 3 169
  • Mulheres: 3 086
  • Urbana: 4 836
  • Homens: 2 398
  • Mulheres: 2 438
  • Rural: 1 419
  • Homens: 771
  • Mulheres: 648

Ibipetum

Povoados do Distrito: Araçá, Baixa dos Marques, Baixa de Irineu, Barreiro de Pintada, Barro Branco, Capim de Raiz, Carrapicho, Coxinho, Fazenda Nova, Jurema, Lagoa da Boa Vista, Lagoa D’Anta, Lagoa do Alberto, Lagoa do Beto, Matinha, Pé de Serra, Pedra de Izidro, Pintada, Poço Cavalo, Poço de Areia, Pratina, Quebra Machado, Riacho das Telhas, Salto de Pedra, Sodrelândia, Tionílio Machado e outros.
  • População do Distrito:
  • Total: 3 030
  • Homens: 1 572
  • Mulheres: 1 458
  • Urbana: 1 143
  • Homens: 578
  • Mulheres: 565
  • Rural: 1 887
  • Homens: 994
  • Mulheres: 893

Localização

Tem fronteira, ao norte, com os municípios de Morpará, Xique-Xique, Gentio do Ouro e Ibipeba, ao leste, com Barra do Mendes, ao oeste e sul, com Brotas de Macaúbas.

Acessos

Saindo de Salvador pela BR-324 até Feira de Santana, seguir pela BR-116(sul) até Paraguaçu e seguir pela BR-242, após a cidade de Seabra e a serra da mangabeira, no entroncamento de Brotas de Macaúbas/Ipupiara, entrar à direita e seguir pela BA-156 até alcançar o quilômetro 71.

Dados geográficos

A descrição topográfica do município indica que o território é formado por serras, a destacar a Chapada Diamantina, conhecida carinhosamente como “Serra da Carranca”.

A característica do solo é semiárido, e possui vários lagos que compõe a rede hidrográfica do município. Tem o Rio Verde, formador da Barragem de Mirarós, como seu principal rio. O clima pode ser caracterizado como tropical. Sua vegetação predominante é a caatinga, e os minérios encontrados são, principalmente: cristal, barita, manganês e ouro.

A fauna é pequena, havendo pouca caça e pesca. Constitui-se como local de grande atração turística uma lagoa construída de águas diamantinas, conhecida como Lagoa do Carranca, para onde afluem muitas pessoas para apreciar a beleza da região, apenas a 14 km da sede.

A sede está situada a uma altitude de 780 metros acima do nível do mar e a área do município, segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 1 330,200 km².

Economia

A agricultura e pecuária são de subsistência. A cidade produz feijão-de-corda, milho, mandioca, mamona, fumo de corda etc. A pecuária é, na sua maioria, bovina, equino, ovino, suíno, e caprina, destacando-se o gado de raça não definida (pé-duro).

No solo do município, são encontrados, em pequenas quantidades, minerais como: ouro, carbonato, mármore, manganês, barita, cristal de rocha etc.

Conforme registros na Junta Comercial do Estado da Bahia, possui 7 indústrias, ocupando o 138º lugar na posição geral do estado da Bahia e 258 estabelecimentos comerciais, 162ª posição dentre os municípios baianos.

Registro de consumo elétrico residencial (quilowatts por habitante): 113,17 – 109º no ranking dos municípios baianos.

Prefeitos

  •   1º gestor: José Antônio dos Santos, governou de 7 de abril de 1959 a 6 de abril de 1963;
  •   2º gestor: Arlindo Alves de Almeida, governou de 7 de abril de 1963 a 6 de abril de 1967;
  •   3º gestor: Artur Gomes da Silva, governou de 7 de abril de 1967 a 6 de abril de 1971;
  •   4º gestor: Osvaldo Leite da Silva, governou de 7 de abril de 1971 a 6 de abril de 1973;
  •   5º gestor: Oscarino José dos Santos, governou de 7 de abril de 1973 a 30 de janeiro de 1977;
  •   6º gestor: Osvaldo Leite da Silva, governou de 31 de janeiro de 1977 a 30 de janeiro de 1983;
  •   7º gestor: Getúlio Ribeiro Barreto, governou de 31 de janeiro de 1983 a 31 de dezembro de 1988;
  •   8º gestor: Gildásio Martins Sodré, governou de 1 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992;
  •  9º gestor: Osvaldo Leite da Silva, governou de 1 de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996;
  • 10º gestor: José Luciano Novais, governou de 1 de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2000;
  • 11º gestor: Ascir Leite Santos, governou de 1 de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2004;
  • 12º gestor: Ascir Leite Santos, governou de 1 de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2008;
  • 13º gestor: David Ribeiro Primo, governou de 1 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012;
  • 14º gestor: David Ribeiro Primo, governou de 1 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016;
  • 15º gestor: Ascir Leite Santos, governando de 1 de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2020.

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