A ginástica artística do Rio 2016 tem um rei: Kohei Uchimura

Foi uma decisão de medalha de ouro de tirar o fôlego: vitória de virada, definida na apresentação do último aparelho. O japonês Kohei Uchimura fez o que se esperava dele e conquistou o bicampeonato Olímpico na disputa individual geral masculina da ginástica artística e se consolidou na posição de rei da modalidade nos Jogos Rio 2016. Mas como foi sofrido. Com uma dose de emoção e tanto.

Uchimura acredita ter estabelecido novo parâmetro na ginástica (Foto: Getty Images/Matthias Hangst)

Uchimura e seu principal rival, o ucraniano Oleg Verniaiev, estavam juntos no mesmo grupo de rotação na Arena Olímpica do Rio. O japonês saiu na frente na prova do solo – 15,766 pontos contra 15,033 do adversário –, mas depois foi para o cavalo com alças (14,900 x 15,533) e as argolas (14,733 x 15,300), nos quais o ucraniano levou a melhor. Na terceira disputa, no salto, Uchimura fez mais pontos que Verniaiev (15,566 x 15.500) e, na sequência, ambos seguiram para as barras paralelas. Aí o ucraniano mostrou a sua força (15,600 x 16,100).

Verniaev se rende ao talento do rival, a quem chamou de “rei” (Foto: Getty Images/Alex Liversei)

Os dois chegaram juntos à barra fixa, último aparelho da série. Uchimura fez a penúltima apresentação no grupo com um desempenho primoroso, 15,800. Vernaliev entrou para a prova precisando de 14,900 para vencer. Teve um desempenho muito bom. O que colocou tensão no público, que esperou a nota como se fosse revelação bombástica de capítulo final de novela. Mas ela não foi suficiente: 14,800. Uchimura, campeão em Londres 2012, sagrou-se bicampeão.

Até o concentrado japonês foi tomado pela emoção na passagem do último aparelho. “Oleg fez uma apresentação soberba. Pensei que perderia por um ponto, então não queria nem ver sua performance”. A disputa, no entanto, teve um final feliz para Uchimura, que se viu fazendo história. “Seis títulos mundiais e dois Olímpicos em dois anos é uma grande vitória. Acredito que estabeleci um novo parâmetro”. O futuro, no entanto, promete ser duro. “Uma nova onda de atletas está surgindo”.

Verniaiev estava entre a tristeza e a resignação. “Estou desapontado. Achei que ganharia o ouro. Nunca treinei tanto para o evento”. O ucraniano disse que estava esperançoso que os árbitros lhe dessem os pontos necessários para vencer, mas sua performance teve uma nota que já havia recebido em outras competições, de forma que não achou de todo injusta. E se rendeu. “Uchimura é o Rei da Ginástica. Como Michael Phelps e Usain Bolt são para seus esportes”.

No pódio, Whitlock, Uchimura e Vernieaiev exibem suas medalhas (Foto: Getty Images/Laurence Griffiths) 

A medalha de bronze foi para o britânico Max Whitlock. “Fiquei em terceiro contra dois ginastas incríveis. Foi uma espera ansiosa e cheguei a achar que tinha chance de ouro”.

Os brasileiros empolgaram a torcida e tiveram um desempenho digno. Sergio Sasaki ficou em nono lugar e Arthur Nory em 17º.

 

fonte: https://www.rio2016.com

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