Este adolescente baiano transforma seus hits gringos preferidos em arrocha


Junho e julho são meses de comer canjica, paçoca e tomar quentão em alguma festa junina/julina Brasil afora. Convenhamos, é a única coisa que salva essa época do ano — considerando que a gente tem CARNAVAL no verão, nem tem mesmo muito como defender o inverno brasileiro, não é mesmo? E qualquer arraiá que seja 100% truezão mesmo de verdade tem que ter um forrozinho sarado pra galera dançar enquanto dá uns cheiros nos cangotes alheios.

E, na moral, eu amo demais dar dois passo pra lá dois passo pra cá ao som de “Xote Dos Milagres“, do Falamansa, numa festa junina , mas já pensou o quão daora seria dançar uns pops no ritmo do arrasta-pé? Bom, aparentemente, nossos desejos foram atendidos: é que um geniozinho da internet, sob o codinome de Weber, resolveu mesclar forró, arrocha e outros ritmos nordestinos com os maiores hits gringos deste ano e do ano passado e postar tudo num canal do YouTube. E tem desde “Lean On”, do Major Lazer com a MØ — que com certeza foi o som mais tocado nas lanchonetes e livrarias brasileiras antes de o Drake resolver lançar o clipe de “Hotline Bling” e roubar o posto —, até uma porrada de músicas do último disco do Justin Bieber.

saca só:

Fui atrás da mente produtiva & brilhante por trás desses remixes e descobri que, na real, o jovem é um adolescente baiano, mais precisamente da cidadezinha de Paulo Afonso, que faz tudo do seu quarto, usando só o seu computador. Fiquei importunando o Weber pela sua página no Facebook e acabou que a gente trocou uma ideia daora sobre como ele remixou e sobre uma infinidade de gêneros nordestinos que eu, menina do centro-sul do Brasil, não sabia diferenciar antes. Leia abaixo.

Noisey: Oi, tudo bem? Primeiro, você poderia me falar seu nome e sua idade?
Weber: 
Bom, meu nome é Victor Gabriel Weber, não gosto muito do ‘Victor’. Tenho 17 anos. Faço 18 depois de amanhã.

Quer que eu deixe só o Gabriel? E parabéns adiantado!
Hahahaha, pode ser! E obrigado.

Você é estudante? Tá na faculdade?
Sou sim. Faço Educação Física. Sou muito eclético.

E quando você começou a fazer esses remixes?
Passei a me interessar por música em 2013, que foi quando comecei a produzir. Mas a ideia de juntar os gêneros da minha região com as de músicas internacionais surgiu ano passado.

E você é de onde?
De Paulo Afonso, na Bahia. É interessante porque a cidade fica bem no meio da divisa de 3 estados: Bahia, Pernambuco e Alagoas.

Você diz isso por causa da influência musical? Tipo, você usa gêneros dos três estados nos seus remixes?
Sim, isso mesmo. Uso muito forró, bregadeira, arrochadeira, swingueira, dentre outros.

Eu ouvi um remix que você fez de “Work”, da Rihanna. O que você usou pra fazer esse?
Como gênero principal, usei o forró. Mas tem umas partes que entro com a swingueira.

Desculpa, mas o que seria a swingueira?
Hahaha, entendo. É um gênero mais popular aqui na Bahia, com percussões mais pesadas e batidas que remetem às origens africanas. Tá muito ligado ao pagode bahiano. Quer um exemplo de música?

Sim. 
Essa daqui do Igor Kannário é um bom exemplo. É mais comum em Salvador e é um gênero do gueto e da periferia da cidade.

E nos outros remixes?
Nesse último, o do Desiigner, eu usei bregadeira com arrochadeira. Bregadeira, no caso, é a mistura do brega com a swingueira. E a arrochadeira, do arrocha (brega com axé e forró) com swingueira. Sempre gostei de misturar as coisas, vivo fazendo experimentação musical.

Você fez quantos remixes já?
12, no total. Mas tem dois que ainda não estão no YouTube.

E de onde surgiu a ideia de fazer esses remixes?
Eu ficava imaginando como seriam músicas internacionais nos gêneros nordestinos. Aí, fui começar a ouvir forró. Porque, tipo, eu não curtia muito, mas acabei aprendendo a gostar das batidas. Do nada, decidi abrir uma música do Wesley Safadão no programa do computador e vi que tinha um snare isolado. Cortei e usei como amostra. Partindo daí, comecei a procurar amostras nas próprias músicas e a recriar as batidas que eu ouvia. Tudo isso do zero. Aí, tive a minha primeira ideia de remix, o de “Lean On”, do Major Lazer.

É muito bom esse!
Hahaha. Obrigado.

Que programa você usa pra fazer?
Uso o FL Studio 12, no meu computador desktop mesmo. Fora isso, não uso nenhum programa específico.

Você toca alguma coisa?
Só sei tocar percussão. Tenho um bongô e até já usei ele como amostra pra um remix.

O que você gosta de ouvir?
Eu sempre tô mudando minha playlist. Tem dias que escuto trap, outros escuto thrash metal, outros cumbia… Comecei a gostar de música e produção quando vi um clipe do Daft Punk na TV. Mas um artista que eu gosto muito mesmo é o Kanye West. Ele é um produtor foda.

Você fez algum remix dele?
Não, porque é difícil extrair as acapellas. E ele sempre dá strike em remixes por causa de direitos autorais.

Ah, saquei. Por isso que você fez o remix da música do Desiigner, então?
Exatamente. Pelo menos, dos samples dá pra eu fazer.

E sons autorais, você não pretende lançar?
Pretendo sim. Até quero fazer alguns com participação de outros artistas também.

Vão ser na mesma pegada dos remixes?
Vai sim, só que mais puxado pro eletrônico, com os graves mais pesados

E você já tem na mira algum remix?
Então, é que os remixes eu geralmente faço sem compromisso, porque nem sempre dá certo. Por exemplo, quero fazer o de “One Dance”, do Drake, mas não estou conseguindo extrair a acapella. Mas estou com ele na mira, por enquanto.

Espero que dê certo!
Obrigado, eu também.

(Só pra constar: no último final de semana, fui numa festa junina e tocaram vários remixes do Weber. Ou seja: pop com forró é tendência)

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