Desgraça pouca é bobagem – Historias Engraçadas





Era uma bela manhã de sexta-feira. Tão bela que fomos liberados mais cedo do colégio por conta de uma reunião dos professores. Não era a primeira vez que uma sexta-feira começava tão bem para mim e acabava terminando mal… e dessa vez não foi diferente.

Chegando em casa mais cedo que o de costume, notei que a geladeira nova, que após muita insistência meu pai havia comprado, estava “estacionada” na nossa garagem. Engraçado que quando a gente é jovem tudo é motivo de festa. Me recordo que fiquei todo entusiasmado com o simples fato da geladeira nova ter chegado. Queria logo colocar ela no lugar da nossa antiga (beeeeeem antiga na verdade, daquelas que pesavam quase 200 Kg e vinham nas cores azul ou vermelha).

Realmente era uma bela sexta-feira.. mas aí o destino começou a conspirar contra mim no momento que meu pai me chamou para ajudá-lo a buscar umas ripas que seriam usadas na reforma de nossa casa em São João da Serra. A madeireira ficava no bairro vizinho.

Na época morava em nossa casa meu amigo Caburé, praticamente um irmão de criação. Ele era mais velho que eu cerca de 3 anos. Parece pouco, mas dependendo da fase esses 3 anos fazem muita diferença. Na época ele estava com seus 18 anos e eu com 15. Ele era bem mais forte do que eu, mas na prática (e para tentar impressionar meu pai) eu tentava igualar essa diferença a qualquer custo.

Saímos os três em direção à maldita madeireira. Era uma caminhada considerável, de pouco mais de 1 Km. Fazia um sol infernal pouco antes do almoço. Inclusive argumentei com meu pai que talvez fosse melhor fazer esse trabalho depois do almoço, que já estava quase pronto. Não adiantou. O infeliz bem que podia ter pago algum carroceiro para trazer as malditas ripas, mas ele dizia:

– Com dois “homens” fortes desses em casa eu não vou pagar pra ninguém trazer pra mim. Isso vai ser mole pra vocês.

Ledo engano…

Chegando na madeireira, enquanto meu pai conversava com um vendedor eu já filmei 3 rolos gigantes de ripas encostados na parede e pensei: “não é possível que ele quer que a gente carregue isso nas costas”. Não deu outra.

Como era o mais fraco da turma, corri logo pra perto do feixe menor. Só que, pro meu azar, o menor era o mais “robusto” e consequentemente o mais pesado.. =\

O orgulho típico masculino fez com que eu não admitisse que estava pesado demais. Decidi ficar calado e tentar levar aquele peso todo assim mesmo.

Com muito custo consegui colocar o feixe nos ombros e fomos em direção à nossa casa, cada um com um feixe nas cosats. Não demorou muito e os dois se distanciaram na minha frente. Era humanamente impossível acompanhar o ritmo deles.

O calor infernal fez com que minhas havaianas começassem a escorregar. O tombo seria inevitável. Em uma ladeira de pedras, a merda da havaiana do meu pé direito arrebentou e caí sentado. O rolo de ripas caiu logo em seguida, quase deslocando o meu ombro. Nesse momento eu nem via os dois mais..

Fiquei muito puto com aquilo. Mais puto ainda quando, ainda sentado tentando tentando arrumar o maldito chinelo, o Caburé apareceu gritando:

– A gente com pressa e o bonitão aí descansando? Vão bora carai!

Se eu tivesse uma arma eu juro que dava um tiro na cara dele nessa hora. Levantei e continuei a caminhada (similar a que Jesus fez 2000 anos atrás).

Depois de muito sacrifício chegamos em casa. Joguei as ripas de qualquer jeito em um canto e corri pra cozinha. Se eu já estava com fome quando saímos imagina depois daquele esforço todo…

PARTE II – O maldito controle remoto

O almoço não podia estar melhor: arroz soltinho, feijão no ponto, bife e batata frita sequinha. Baixei o espírito de um pedreiro e fiz uma verdadeira “montanha”. Peguei o prato e fui pra sala assistir o noticiário esportivo enquanto almoçava.

Sentei no sofá e vi que o controle remoto estava em cima da TV. Coloquei o prato em cima da mesa de centro e levantei para pegá-lo.  Naquele desespero todo e tremendo de fome deixei o controle cair no carpete. Quando abaixei para pegá-lo, por uma infelicidade, esbarrei minha perna no prato que estava em cima da mesa, que entornou completamente em cima do carpete. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Tomado pelo ódio acabei perdendo a fome.

Pior do que perder a fome foi ter que limpar a merda do carpete. Ele era grosso e os grãos de arroz enfiaram pra dentro dele. Tive que fazer um trabalho manual com o garfo pra tirar tudo. Minha sexta-feira mal havia começado e já estava toda cagada…

Mas como dizia um sábio: “Não há nada tão ruim que não possa ficar pior”. E infelizmente ele estava certo.

PARTE III – A maldita geladeira

Após o almoço, começamos a esvaziar a geladeira antiga para colocar a nova no lugar. Colocamos a tralha toda em cima da mesa da cozinha e após esvaziar tudo começamos a tirar a geladeira velha do lugar. Meu pai já havia dito para esperarmos que ele iria ajudar, mas naquela ansiedade de ver a geladeira nova funcionando resolvemos não seguir a recomendação.

O Caburé e eu começamos a tirar aquele trombolho de geladeira velha do lugar. Estava pesada demais. Colocamos um pano por baixo e começamos a arrastá-la pelo chão da cozinha.

Na porta da cozinha havia um degrau para chegar ao quintal e tivemos que parar, pois o espaço da porta era a conta de passar apenas a geladeira.

Disse para meu amigo:

– Vou descer pro quintal e ficar segurando do outro lado. Espere até o meu sinal para começar a empurrar a geladeira.

Foi a mesma coisa que dizer: ” Seu retardado, pode empurrar a geladeira de qualquer jeito que o bobo aqui vai estar do outro lado esperando ela cair”.

Eu ainda estava me preparando pra segurar a geladeira, pois estava com o lado mais pesado virado para o meu lado, quando o Caburé perguntou:

– Tá pronto!?

Eu de pronto respondi:

– Espera aí um pouco!

Acho que além de lerdo, meu amigo era surdo. Mesmo dizendo pra esperar ele começou a empurrar aquele trombolho pro meu lado. Como não estava esperando ela despencou em cima de mim de tal maneira que quando bateu no chão uns hambúrgueres que tinham ficado presos ao gelo do congelador foram parar a 5 metros de distância.

Era muito pra um dia só…

Eu lá estendendido no chão com aquele elefante vermelho em cima de mim, meu pai puto xingando a gente porque tinha avisado pra esperar pela ajuda dele e o infeliz do Caburé preocupado se não tinha estragado a merda da geladeira!

Estava tão azarado naquela maldita sexta-feira que se chovesse loiras sem dúvida alguma cairia um negão no meu colo…

Depois que tiraram a geladeira de cima de mim fui procurar uma benzedeira porque a situação tava complicada pro meu lado.. =)

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