Crônicas do cotidiano – Vida Nova

Pela janela ela observava o passarinho que aos poucos ia fazendo com muito trabalho o seu pequeno ninho. A avezinha  trazia no bico um capim seco, trançava e depois ia buscar outro. Às vezes ele voltava com uma fita de plástico, coisas da vida moderna. Mas o pequeno não tinha preconceito não. O estranho material também era usado na construção do ninho. Os reflexos do sol nas folhas verdes faziam com que elas, que ainda estavam com as delicadas gotas do sereno matinal, ficassem mais vivas e frescas.
O dia estava muito bonito e isso era muito bom. Chega de sofrer, chega de tristeza, agora em diante tudo seria diferente. Viva a nova vida! Pensava ela.
Devagar o passarinho ia construindo o seu ninho. Ela, observando com atenção todo aquele paciente trabalho também ia se enchendo de energia e esperança. O tempo foi passando e foi passando também aqueles pensamentos repletos de aborrecimentos e problemas que estavam sufocando a vida dela.
Enquanto ela estava ali apreciando aquela singela cena, ela já não se lembrava mais de tudo de mal que havia acontecido. Ficar ali observando aquele pequenino ser trabalhar com tanta energia e dedicação, para ela, foi um excelente indicativo de que a partir daquele dia ela também iria construir uma nova vida. Uma vida mais feliz e com muito mais alegrias.
Instantes depois ela foi interrompida:

– Com licença senhora! A senhora aceita um café?
– Sim, aceito.
– Açúcar ou adoçante?
– Açúcar!
– Só mais um instante. Daqui a pouco o Seu Gomes vai atendê-la.
– A senhora trouxe todos os documentos? A senhora vai começar a trabalhar hoje mesmo não é?

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