Crise derruba venda de gasolina em Salvador

Com orçamento doméstico apertado, o baiano está evitando sair de carro para economizar a gasolina. Somente nos primeiros dois meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, as vendas do combustível caíram 13% em Salvador, conforme levantamento do sindicato dos postos de combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis-BA). No início deste mês, um novo aumento generalizado no preço elevou o litro da gasolina comum para R$ 3,99, chegando a até R$ 4,25 em alguns postos da cidade. A alta, imediatamente após um período de contas acumuladas (IPTU, IPVA, material escolar, etc.), acabou não resistindo por muito tempo, diante da queda brusca da demanda – que só será apurada oficialmente pelos postos no final de março. Hoje, entretanto, a maioria dos estabelecimentos da cidade já vende o litro do produto por preço médio de R$ 3,54. “Com certeza, foi uma queda no valor gerada por uma redução da margem de lucro entre as pequenas distribuidoras e seus clientes, o que acabou, pela própria concorrência, tendo que ser adotada por outros postos, na medida do possível”, explica o presidente do Sindicombustíveis-BA, José Augusto Costa. Segundo ele, as redes menores de distribuição e os chamados postos de bandeira branca (que não são fidelizados às grandes redes tradicionais, como Shell, BR e Ipiranga, por exemplo) têm melhores condições de negociar preços mais baixos, já que, em tese, operaram com custos menores. Preço médio Costa explica que o preço médio de venda das grandes distribuidoras para os postos hoje é de R$ 3,40 (com base na Petrobras BR). “Para o posto que está comprando por esse valor por obrigação contratual, fica difícil vender por apenas R$ 3,54, por exemplo, margem que, ao contrário, pode ser negociada com as pequenas distribuidoras e pequenas redes locais, ainda assim com uma margem de lucro muito estreita, que não deve se estender por muito tempo”, diz. Larco, Petrobahia, Petroserra e Petrovale estão entre as distribuidoras de menor porte que atuam no estado. “Vale ressaltar, entretanto, que não basta ser de rede pequena ou ser posto de bandeira branca para oferecer um preço mais em conta, porque a gasolina é um produto cujo valor depende de muitas variáveis, como o preço do petróleo nacional e internacionalmente, além de aspectos de ordem tributária”, frisa Costa. “No caso específico da Bahia, é um mercado oligárquico (concorrência entre poucos), o que faz com que os preços sejam sempre muito parecidos, com poucas flutuações”, completa. “A gente fica assustada”, diz a psicóloga Alice Macedo. Ela mora perto do trabalho e mal usa o carro. Ainda assim, tem evitado usar o veículo para outros deslocamentos mais longos. Com bolso sentindo o preço do combustível, a psicóloga confessa que tem apelado para os truques da mente: “Ponho sempre o mesmo valor, semanalmente, dando a quantidade de litros que der, e aí parece que sinto menos as variações de preço”, afirmou. Já o advogado Rafael Magalhães, que usa muito o carro no dia a dia para ir trabalhar, encontrou uma forma para reduzir os gastos com o combustível: passou a revezar carona com o irmão para as aulas de pós-graduação. “Um dia vamos no carro dele; outro dia, vamos no meu”, conta.

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