Como ser criativo com inteligência artificial

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Os computadores capazes de aprender podem ajudar artistas e criadores a levar sua arte a outro patamar.

De caixas de ritmos a câmeras digitais, a tecnologia tem uma história de revolucionar as maneiras de os artistas criarem. Agora, novas ferramentas improváveis do mundo da tecnologia estão alterando tudo – da música à arte e ao cinema.

Segundo Nidhi Chappell, diretor de Aprendizado de Máquina da Intel, a inteligência artificial (IA) é um ramo da ciência da computação no qual as máquinas podem sentir, aprender, pensar, agir e adaptar-se ao mundo real, ampliando a capacidade humana, automatizando tarefas enfadonhas ou perigosas e ajudando a solucionar alguns dos problemas sociais mais desafiadores.

Da mesma forma, disse ela, o aprendizado de máquina (AM) é um subcampo da IA, no qual os computadores são capazes de acumular e processar um imenso volume de dados que lhes permite criar algoritmos matemáticos. Isso permite aos computadores agir ou “pensar”sem serem explicitamente comandados para executar funções específicas.

As tecnologias de IA e de AM vêm sendo utilizadas há décadas em campos como o da Educação, Finanças e Medicina mas, como explica Shun Matsuzaka, fundador da McCann Millennials: “Em geral acredita-se que a inteligência artificial não é capaz de ‘criar’ ou de ser eficaz no campo da criação.”

Não é mais assim.

Hoje, Matsuzaka e outros inovadores de todo o mundo estão usando as tecnologias de IA e AM como ferramentas para compor músicas, pintar quadros e muito mais.

“Tecnicamente, vejo um amplo campo aberto para ferramentas artísticas habilitadas por IA. Ferramentas de música. Ferramentas de animação. Ferramentas de escultura. Ferramentas de escrita,” disse Karl Stiefvater, fundador do Pikazo, um aplicativo que utiliza uma rede neural artificial para criar arte. “O espaço é muito animador.”

Matsuzaka, Stiefvater e outros estão integrando os mundos da IA e da arte de forma surpreendente. Esses quatro projetos destacam o papel que a tecnologia pode desempenhar neste renascimento criativo que está desabrochando.

AI-CD ß

Em março, a McCann Erickson Japão anunciou o acréscimo de um membro muito especial à sua equipe: o AI-CD β, um diretor de criação com inteligência artificial.

O AI-CD β foi criado como parte do projeto McCann Millennials, um empreendimento inovador liderado por membros da agência nascidos entre 1980 e 2000.

“Por se tratar de um projeto jovem, não havia ninguém que pudesse ser diretor de criação do McCann Millennials”, disse Matsuzaka. “Decidimos criar um diretor nós mesmos.”

A equipe utilizou antigos anúncios emblemáticos para informar a IA, esperando que esta os orientasse a criar trabalhos futuros de igual calibre.

“Analisamos todos os trabalhos premiados nos últimos 10 anos do ACC CM Festival, o mais respeitado programa de premiações do Japão”, explicou Matsuzaka. “Colocamos marcadores originais nos anúncios [the ads] para analisar e desenvolver um algoritmo para criar visuais que emocionassem as pessoas e depois o instalamos na inteligência artificial.”

Como sua primeira tarefa, um anúncio da pastilha de menta Clorets. O AI-CD β deu a orientação para “transmitir uma ideia inusitada” com música urbana, deixando uma imagem de frescor e uma sensação de liberdade.” Isso proporcionou à sua equipe muito espaço para interpretação mas, como todo bom profissional, a orientação do AI-CD β deverá ser refinada com a experiência.

“A IA avaliará e aprenderá com o resultado depois que o comercial for ao ar de modo que sua precisão será maior em projetos futuros”, disse Matsuzaka. “Verificaremos se o comercial alcançou o objetivo do cliente – se houve alguma mudança de percepção após assistir ao comercial – e, de acordo com o resultado, avaliaremos se a orientação estava correta ou não.”

Ele prosseguiu, “Inseriremos essa informação no banco de dados da IA e, ao fazê-lo, o algoritmo será atualizado e a IA aprenderá com o resultado.”

Projeto Magenta

Apenas dois meses após o “software inteligente” AlphaGo do Google tornar-se o primeiro programa de computador a vencer um campeão mundial em uma partida de Go, a empresa anunciou o Magenta, um novo projeto que faz a pergunta: “É possível usar aprendizado de máquina para criar arte e música cativantes?”

“A finalidade do Magenta é construir ferramentas acionadas por inteligência de máquina para dar suporte à criatividade humana”, disse Doug Eck, Cientista Sênior da Equipe de Pesquisadores do Projeto Magenta. “Já fizemos muito progresso em áreas afins, como reconhecimento de voz e tradução. Agora queremos ver o que é possível fazer no campo da criatividade.”

O projeto utiliza o TensorFlow, um sistema de aprendizado de máquina de código aberto criado pelo Google Brain para desenvolver algoritmos capazes de aprender a criar arte e música. Depois que a equipe do Google Magenta criar uma infraestrutura de código aberto para o projeto baseada no TensorFlow, eles compartilharão as ferramentas que criaram com o público, para serem usadas na composição de música. Eck gostaria de ver surgir uma comunidade vibrante em torno do Magenta.

“Queremos atrair mais pessoas além do grupo restrito que tende a escrever algoritmos complicados de aprendizado de máquina”, continuou Eck. “Queremos ser o elo entre a arte e a ciência.”

RobotArt

Equipes de universidades e de ensino médio de todo o mundo competiram na edição inaugural da RobotArt, construindo 16 robôs capazes de criar pinturas em tela de forma independente.

“Meu objetivo para o primeiro ano era simplesmente demonstrar que havia interesse na competição e, portanto, minhas expectativas eram baixas”, disse Andrew Conru,fundador da RobotArt. “Porém, fiquei realmente surpreso com a diversidade de inscrições, bem como com a qualidade de muitos trabalhos.”

A Equipe TAIDA da Universidade Nacional de Taiwan levou o grande prêmio de US$30.000 com seu Artista Robô, que era, segundo seu texto de apresentação na competição, “inspirado na maneira de pintar de muitos artistas humanos”.

O robô combina a técnica artística de underpainting com a tecnologia de renderização não fotorrealista (NPR, na sigla em inglês) e um braço de robô com sete graus de liberdade (DoF) para imitar uma determinada imagem. Uma câmera externa é anexada à sua garra com três dedos, e ele recebe feedback visual. Isso permite que o robô visualize e analise a pintura ao longo do processo, exatamente como faria um pintor humano.

“Para fazer com que o robô pintasse de forma mais estética consultamos um artista profissional de Taiwan, Chin-Yi Zhong, para obtermos uma opinião imparcial sobre a estética e a metodologia da pintura,” explicou a Equipe TAIDA.

Aplicativo Pikazo

Os artistas amadores não precisam construir um robô para ser criativos com inteligência artificial; basta que façam download do Pikazo.

O aplicativo, que é descrito como “uma colaboração entre ser humano, máquina e nosso conceito de arte”, usa qualquer imagem e a reproduz no estilo preferido. O usuário pode, por exemplo, combinar uma ‘selfie’ com um dos estilos de Picasso do aplicativo.

Contudo, o Pikazo está longe de ser um aplicativo de filtro. Ele realmente analisa a imagem quanto ao conteúdo geral (traços faciais, objetos de fundo) antes de captar os detalhes menores de estilo.

“Trata-se de uma aplicação não tradicional de redes neurais, nas quais a rede é usada para ‘halucinar’ uma imagem desejável”, disse Stiefvater, explicando que ‘desejável’ é uma qualidade determinada pela rede com base no conteúdo que ela analisa.

O aplicativo utiliza então essas informações para decidir como empregar um estilo, prestando atenção nas relações entre os diferentes elementos.

O Diretor Executivo da Pikazo, Noah Rosenberg, disse em entrevista ao The Creators Project que esse fenômeno chama-se ‘treinar a rede’.

“Penso nele como os pinos de um jogo de Plinko”, acrescentou. “Os pixels da imagem passam por esse labirinto e saltam, e espera-se que caiam em espaços que correspondam aos detalhes da imagem do estilo.”

Crédito: Programador principal do Pikazo, Ryan McNeely

Crédito: Programador principal do Pikazo, Ryan McNeely

Embora esses projetos focados em inteligência artificial possam ser ferramentas úteis para os artistas explorarem sua criatividade, fica a pergunta: a próxima ‘Mona Lisa’ será criada de forma independente por um artista ou será alimentada por ‘zeros’ e ‘uns’?

“Acredito que nossas futuras obras-primas serão criadas com o uso de avançadas – e talvez artificialmente inteligentes – ferramentas de software”, disse Steifvater, destacando que as pessoas criativas há muito já usam ferramentas para aperfeiçoar seu trabalho.

“Mas não pensem que é muito diferente do fato de os pintores de hoje usarem tintas feitas na fábrica em vez de misturarem suas próprias receitas como faziam no renascimento.”

fonte: http://iq.intel.com.br/

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