Brasil faz dobradinha na ginástica com Diego Hypolito e Arthur Nory

A equipe masculina de ginástica artística do Brasil fez história novamente nos Jogos Rio 2016. Depois de participarem pela primeira vez da final por equipes, os ginastas brasileiros chegaram ao inédito pódio na prova individual do solo e em dose dupla: Diego Hypolito ganhou a prata e Arthur Nory ficou com o bronze. O ouro foi para o britânico Max Whitlock, que também venceu a disputa do cavalo com alças.

Hypolito, de 30 anos, e Arthur, de 22, empolgaram o público presente na Arena Olímpica do Rio com suas apresentações. O veterano recebeu a nota 15.533, enquanto Nory obteve 15.433. Os dois ficaram atrás de Whitlock, que foi avaliado com 15.633. Até o Rio 2016, o ouro de Arhur Zanetti nas argolas em Londres 2012, era a única medalha do país no esporte. Mesmo para um atleta experiente como Diego, o pódio duplo no solo foi uma grata surpresa. “Nunca pensei que isso poderia ser real”.

Diego foi uma atração à parte pela franqueza com que falou sobre passado e presente após a conquista da medalha. Revelou que os fantasmas de Pequim 2008 e Londres 2012, quando era candidato ao ouro e falhou, ainda o assombravam.

“Na hora em que fiz a última acrobacia veio na minha cabeça o filme de Pequim (quando caiu sentado na apresentação final). Nessa hora eu pensei: ‘você treinou, você se dedicou. Não deixa seu trabalho ir por água abaixo por causa de algum pensamento negativo. Vai lá e faz’. E eu fiz. Quando eu terminei, saiu um caminhão das minhas costas”, revelou.

Diego quase desmaia ao esperar os resultados dos adversários (Foto: Getty Images/Tom Pennington)

Superar adversidades se tornou uma especialidade do ginasta. “Aconteceu de tudo comigo: já tive depressão, fui internado e voltei para ser campeão mundial. Foram tantos altos e baixos na minha carreira…”, relembrou Diego. “Isso mostra, para qualquer pessoa, que todos nós temos o direito de errar, Todos os resultados são muito importantes. Na época, eu não valorizei meu resultado de Pequim. Só fui valorizar quase oito anos depois”.

O carioca também não esqueceu o fato de ter corrido o risco de ficar fora da equipe brasileira no Rio 2016. “Muitas pessoas falaram que eu não poderia ir. Mas só meus esforços e Deus diriam onde eu iria. Nunca deixei de acreditar”, revelou.

Diego também mostrou gratidão às pessoas que o apoiaram. Além da família, duas pessoas que mereceram uma menção especial: o seu atual técnico, Marcos Goto, e o ginasta Arthur Zanetti. “Zanetti foi uma inspiração para mim. Marcos Goto também. Ele acreditou em mim quando ninguém mais acreditou. Quando muitos falaram que eu não podia, ele falou que eu podia”.

A história de Diego no Rio 2016 não foi feita, porém, só de drama. Com uma boa dose de humor, o ginasta, o segundo a se apresentar entre os oito atletas na final do solo, revelou que quase perdeu os sentidos enquanto esperava os resultados dos adversários. “A pressão começou a cair e eu a passar mal. O Marcos (Goto, técnico) tentou me acalmar, todo mundo começou a falar comigo e eu comecei a ficar tonto. Pensei: ‘vou desmaiar aqui, vou dar esse vexame’. Mas é porque a ginástica é subjetiva, depende da avaliação dos árbitros”, explicou o ginasta, que, aos 30 anos, descarta a aposentadoria.

“Pretendo ir a mais mundiais e mais Jogos Olímpicos”.

Ousadia e mais revelações

Arthur Nory é emoção pura ao saber que havia conquistado bronze (Foto: Getty Images/Alex Liversey)

Se Diego escancarou todos os seus dramas, Nory revelou segredos. Um deles foi o fato de que seu bronze veio da decisão ousada de apresentar uma série inédita em suas competições. “Acrescentei um movimento valor F, com elementos que eu havia treinado bastante. Ele chama a atenção, é bem difícil, e quando eu coloco na série eu tiro uma boa nota”, explicou.

Outra história que veio à tona foi a de que, na verdade, seu sonho inicial como ginasta não era ser se dedicar ao solo. “Na verdade, queria ser medalhista Olímpico de barra fixa. Mas veio o solo. A ficha só começou a cair quando fui ver todos os meus resultados. Ficava sempre a dois décimos da final e era meu melhor aparelho. Depois disso eu aceitei”. Sorte do ginasta, e do Brasil.

No feminino, uma despedida

Se Diego Hypolito pretende prolongar a carreira como ginasta, ele teve onde se inspirar no Rio 2016. Neste domingo, aos 41 anos, Oksana Chusovitina encerrou sua impressionante carreira ao ficar em sétimo lugar na final individual do salto. Entre as adversárias, apenas uma já era nascida quando ganhou sua primeira medalha Olímpica, o ouro por equipes nos Jogos Barcelona 1992.

Chusovitina dá adeus depois de disputar sete Jogos Olímpicos (Foto: Getty Images/Tom Pennington)

Chusovitina competiu em sete edições dos Jogos Olímpicos por três países diferentes. Em 1992, com a dissolução da União Soviética, defendeu a bandeira dos Atletas Olímpicos Independentes. Depois, foi atleta do Uzbequistão, até que em 2002 mudou-se para a Alemanha com o objetivo de viabilizar tratamento médico para o filho, que tinha leucemia. Naturalizada, disputou os Jogos Pequim 2008 pelo novo país e conquistou medalha de prata no salto. Em 2013 Chusovitina obteve autorização especial da Federação Internacional de Ginástica (FIG) para voltar a competir pelo Uzbequistão, país que defendeu pela última vez na Arena Olímpica do Rio.

A medalha de ouro no salto ficou com a americana Simone Biles. Na outra disputa por aparelhos no dia, as barras paralelas assimétricas, a vitória foi da russa Aliya Mustafina.

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