Boi

O Boi (Bos taurus) é um mamífero ruminante da ordem Artiodactyla. Faz parte do grupo dos bovinos, é ungulado e apresenta dois dígitos (dedos) em cada pata. O boi é um ruminante, ou seja, regurgita o alimento para a boca após sua ingestão, onde é novamente mastigado e deglutido. O estômago dos ruminantes é dividido em retículo, rúmen, omaso e abomaso.

O macho da espécie recebe o nome de boi, ou touro, enquanto que a fêmea é conhecida por vaca e o animal jovem por bezerro. Essa espécie foi domesticada pelo homem e é utilizada em larga escala em muitas atividades como a produção de carne e de leite, representando grande importância para a economia de muitos países.

Subespécies

Possui duas subespécies, a saber: Bos taurus taurus (gado taurino, de origem europeia) e Bos taurus indicus (gado zebuíno, de origem asiática). Os cruzamentos entre os indivíduos de ambas as divisões é frequente tanto em programas de melhoramento genético dos rebanhos, quanto em propriedades onde a monta é natural e sem controle algum. Esses híbridos são muito usados para combinar a produtividade do gado taurino com a rusticidade e adaptabilidade a meios tropicais do gado zebu.[1]

História

Leite – bezerro mamando

O gado doméstico descende do auroque na Europa e do gauro na Ásia. Sua domesticação teve início há mais de 5 000 e 6 000 anos atrás. Os bovinos domesticado tinham várias serventias para o ser humano: como animal de carga (assim como a cabra e os cavalos) e a produção de leite em vida e carne/couro após a morte. Era incomum a criação de gado para alimentação, a carne do animal era consumida apenas se ele morresse ou não tivesse mais utilidade.

Hoje em dia, os bovinos são os principais figurantes na indústria de produção de carne. A cadeia produtiva da carne está em vários ramos de negócios, desde a fabricação de ração e o ensino de profissionais qualificados (médicos veterinários, zootecnistas e agrônomos) até as empresas de consultoria em sistemas de comércio exterior.

No Brasil

No Brasil, a criação de gado foi iniciada tão logo foram implantados os primeiros engenhos de açúcar, na primeira metade do século XVI. Serviam para abastecer, de leite e carne, as pessoas que se estabeleciam na área de influência de cada engenho. Uma vez que as áreas de pastagem para o gado concorriam com as de plantações de cana-de-açúcar, os criadores foram cada vez mais se dirigindo para o interior. Ao longo do caminho, foram sendo estabelecidas pequenas povoações que, posteriormente, se transformaram em vilas e cidades.[2]

Subespécie B. taurus taurus

Exemplar de touro da raça Nelore, em Avaré

  • Angus – do nordeste da Escócia, sem chifres, para corte
  • Caracu – para corte e como animal de tração
  • Charolais ou charolês – para carne
  • Devon
  • Frísia, ou Holstein – para leite
  • Hereford
  • Jersey- para leite
  • Limousin – da França
  • Nguni, típica de África
  • Simental ou suíça-malhada

Subespécie B. taurus indicus

Exemplar de touro da raça Guzerá, em Avaré

  • Brahman ou zebu americano, sagrado na Índia
  • Gir – do sul da Índia
  • Guzerá – Guzerat ou Kankrej, principal raça da Índia
  • Hariana
  • Indubrasil
  • Nelore no Brasil, chamada Ongole na Índia – para corte
  • Tabapuã – O zebu mais precoce.
  • Zebu

Raças “sintéticas” brasileiras

Frutos de cruzamentos entre as demais:[3][4]

  • Naobrasil – cruzamento de Nelore e Zebu
  • Simbrasil – cruzamento de Simental e Zebu para corte
  • Girolando – cruzamento de Holandês(5/8) e Gir(3/8) com dupla aptidão
  • Toledo – cruzamento de Holandês e Simental
  • Bravon – cruzamento de Devon e Brahman para corte
  • Canchim – cruzamento de Charolais(5/8) e Zebu(3/8)
  • Pitangueiras – cruzamento de Red Poll(5/8) e Zebu(3/8)(Gir e Guzerá)
  • Purunã – cruzamento de Charolais, Caracu, Red Angus e Canchim, realizado no IAPAR com 1/4 para cada raça.

Raças crioulas brasileiras

As raças crioulas brasileiras descendem dos rebanhos trazidos para a América pelos colonizadores portugueses e espanhóis.[3][4]

  • Caracu – origem São Paulo
  • Crioulo Lageano – origem Santa Catarina
  • Curraleiro – origem Piauí
  • Mocho Nacional – origem São Paulo e Goiás
  • Pantaneiro – origem Mato Grosso do Sul

Principais raças de bovinos criadas em Portugal

Raças autóctones portuguesas

Vaca barrosã

Para além das raças que conseguiram grande expansão quantitativa e geográfica, como as anteriormente indicadas, existem várias raças autóctones, resultantes de pressões selectivas específicas ou de um relativo isolamento genético nas localidades onde se desenvolveram. Muitas dessas raças estão extintas ou em extinção fruto da globalização e da competição com raças mais produtivas. Entre as raças autóctones, estão:

  • Ramo Grande dos Açores.
  • Alentejana, do Alentejo
  • Arouquesa, de Aveiro
  • Minhota ou Galega
  • Marinhoa
  • Maronesa, região da Serra do Marão.
  • Barrosã ou Cachena, da região do Barroso e da zona do Parque Nacional da Peneda-Gerês
  • Gravonesa
  • Brava
  • Mirandesa
  • Jarmelista ou Jarmeleira, região da Guarda
  • Mertolenga, Mértola

De resto, na produção de bovinos em Portugal, destaca-se uma lista de produtos com denominação de origem protegida que era composta, em 2012, por 9 referências.

Usos

Uso pouco comum do boi: a montaria

Touro Brahman em julgamento (Avaré)

Ver também: Carne bovina

Esta espécie foi domesticada pelo homem e é explorada para a produção de leite, carne e pele(couro) e também como meio de transporte e animal de carga. Também os ossos são aproveitados, para a fabricação de farinha, sabão e rações animais. O casco e os chifres têm usos diversos e os pelos das orelhas são usados para a confecção de pincéis artísticos.

Os machos de determinadas raças podem ser também usados como entretenimento nas touradas e nos rodeios.

Reprodução

Testículos bovino. Em exposição no MAV/USP.

Sistema reprodutor de uma fêmea bovina. Em exposição no MAV/USP.

Em fazendas é muito comum a utilização de artifícios, como a inseminação artificial, para que se obtenha um gado com o menor número de indivíduos fisiologicamente deficientes. Com esta seleção artificial é possível se obter um rebanho mais resistente a doenças e com porte que torna viável a comercialização de derivados bovinos.

A inseminação artificial ou inseminação intrauterina é uma técnica de reprodução medicamente assistida que consiste na deposição artificial do sêmen nas vias genitais da fêmea.[14] Utiliza-se em casos em que os espermatozoides não conseguem atingir as trompas ou simplesmente por escolha do proprietário do animal. Consiste em transferir, para a cavidade uterina, os espermatozoides previamente recolhidos e processados, com a seleção dos espermatozoides morfologicamente mais normais e móveis.

A influência do clima tropical na reprodução

Atualmente a maior parte de rebanhos bovinos é situada em áreas dos trópicos, nessas condições climáticas, a reprodução destes animais pode vir a ser afetada pelas condições térmicas do meio. Ambientes que possuem altas temperaturas afetam os mecanismos de termorregulação corpórea impedindo estes de promover a perda de calor, causando assim um aumento da temperatura interna acima dos limites fisiológicos[15], além de resultar em um quadro de degeneração testicular, caracterizado por alterações nos tecidosdo epitélio seminífero.[16]

A estrutura fisiológica e biológica destes animais são afetadas por fatores clímaticos que incluem temperatura, umidade, radiação solar e vento. Altas temperaturas aumentam ou diminuem as condições normais devido interrupção da homeostase durante a termorregulação, interferindo diretamente na troca de calor entre animal e ambiente, resultando em alterações degradantes na reprodução.[17]

Galeria

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