Biometria da Griaule identifica motoristas na Índia e eleitores no Brasil

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Empresa 100% brasileira é um dos grandes nomes no setor de biometria do País e do mundo. Conheça a história da Griaule, que nasceu incubada na Unicamp e já tem 14 anos no mercado

Na Índia, a maior companhia de táxis usa biometria para autenticar a identidade de seus mais de cinco mil motoristas. Diferentemente do Brasil, a Índia não tem um um número de identificação nacional para os seus cidadãos, o que torna difícil para empresas como a Meru Cab Company a tarefa de autenticar seus motoristas. Na época em que o sistema foi implementado, em 2010, a maior preocupação da empresa era ter certeza de que ex-funcionários que saíram em razão da violação de políticas ou de padrões de serviços não voltariam ao serviço. No passado, alguns motoristas tentaram retornar, alterando seus nomes e até mesmo a carteira de motorista para tal. Esse uso um tanto quanto inusitado de biometria é só um dos cases da Griaule, empresa nacional que é um dos grandes nomes do setor.

Criada em 2002 por Iron Daher e hoje presente em mais de 60 países, a Griaule construíu seu sucesso em uma época em que pouco se falava de biometria. Grande parte da sua fama se deve a um prêmio que a empresa ganhou em 2006 na Fingerprint Verification Competition pelo seu Griaule Fingerprint SDK, que reconhece a solução da Griaule como o melhor algoritmo de identificação do mundo. Como a competição terminou logo depois, os brasileiros seguem com os grandes vitoriosos. Até 2005, a empresa era incubada na Unicamp, hoje, ocupa um espaço vizinho à universidade paulista — não por acaso, grande parte dos profissionais é formada lá — e tem 30 funcionários que trabalham para cerca de quatro mil clientes ao redor do mundo.

Equipe Griaule em 2016 em frente da nova casa.

Equipe Griaule em 2016 em frente da nova casa.

Para o usuário comum a biometria pode parecer uma tecnologia um pouco distante, mas a verdade é que ela está presente em vários setores. Alexandre Creto, responsável pelo marketing da empresa, conta que a procura por formas de garantir a unicidade das pessoas vem dos mais variados mercados, como o próprio exemplo da Índia. O governo federal é um dos maiores clientes da Griaule, por meio do TSE, que contratou a solução da empresa para garantir que cada pessoa só vote uma vez. Todo o banco de dados é gerenciado pela Griaule e foi projetado para guardar informações de mais de 160 milhões de brasileiros. “O que pouca gente sabe é que cada vez que temos que verificar a autenticidade de uma digital é preciso bater todas as dez que as pessoas têm cadastradas, ou seja, bater um digital com 1.6 bilhões de digitais que estão no nosso banco de dados”, exemplifica.

Os bancos também são clientes grandes da Griaule. Além de identificar as pessoas, a biometria ajuda a autenticar transações, diminuindo assim o problema dos bancos com fraudes. Alguns serviços de saúde também estão adotando a biometria como uma forma de confirmar que o beneficiário é ele mesmo. Outro case importante da empresa é o Bolsa Família. A implementação da biometria pôs fim ao problema que o governo federal tinha com os beneficíarios que esqueciam a senha ao mesmo tempo em que criou uma prova de vida importante para um programa social que distribuí ajuda aos mais necessitados.

Hoje no Brasil, todos os bancos usam biometria para liberar transações.

Hoje no Brasil, todos os bancos usam biometria para liberar transações.

Creto diz que muitas pessoas só veem essas questões de autenticação e controle de acesso na biometria, mas que a tecnologia também pode ter um papel social. Na Fundação Casa, em São Paulo, soluções da empresa são utilizadas para evitar fraude no cadastro dos menores, que são pegos sem identidade e mentem a idade, e também para fazer um estudo da situação desses jovens, que muitas vezes são reincidentes na entidade. Nesse caso, em específico, é usado mais de um tipo de biometria, pois muitos adolescentes chegam com os dedos queimados pelo uso constante de crack conforme conta Alexandre Creto.

Versátil, a Griaule tem hoje quatro soluções principais que evoluíram do SDK premiado. O foco hoje é no AVIS, um pacote que trabalha com multibiometria — leitor de digital, de íris, de voz e também de face — para identificar as pessoas, seja usando todas as tecnologias ou apenas algumas. “É muito comum as pessoas terem acesso a um celular, mas não terem acesso a um leitor biométrico, de digital. Se o cara está no celular e não tem leitor de digital ele pode fazer uma selfie, pois selfie todo mundo sabe fazer. Ou ele pode ler uma frase em voz alta e o sistema reconhecer pelos parâmetros da voz”, exemplifica.

Diretores da Griaule, Iron Daher e Eduardo Félix.

Diretores da Griaule, Iron Daher e Eduardo Félix.

Além do AVIS, existem outras soluções com focos diferenciados que mostram a amplitude da biometria: GBS, para empresas menores, com uma solução mais simplificada, GBS Banking, para bancos, a Civil ID, para governos, que garante um controle manual, e o GBS Forense, cujo foco é polícia e instituto de investigação. “Além de tudo que as outras oferecem, essa solução permite que o investigador tire uma foto de um pedaço de marca de uma digital e envie para o banco de dados para que ele encontre o dono. É um software voltado para essa situação de crimes e pós-morte em específico”, conta. Há também plataformas de serviços na Griaule, como Spid, de proteção contra fraude de identidade, quando pessoas usam documentos falsos para fazer cadastro, por exemplo. E ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a Griaule só faz a parte de software. Quando é preciso entregar também hardware nas soluções a empresa vai atrás de seus parceiros de negócios. Como em outros mercados, o Brasil não é muito forte no desenvolvimento e pesquisa de hardware de biometria.

Infinitos tipos de biometria

A Griaule hoje aposta nas quatro biometrias da AVIS, leitor de digital, de íris, de voz e também de reconhecimento de face, mas há muito mais no mercado. Segundo Creto, existe uma série de biometrias e elas são divididas em comportamentais e físicas.”Veias da palma da mão, formato da mão, extensão do corpo, palmar [digital da mão], plantar [digital do pé], de íris, de retina [padrão de veias], formato da orelha, dimensões da face [espaçamentos entre olhos e boca, por exemplo], biometria do caminhar, de batimento cardíaco, o padrão de digitação em teclados, a movimentação do mouse e até de DNA. Os comerciais costumam ser aqueles mais fáceis de trabalhar, porém”, afirma. “O que a gente recomenda é que não se dependa de uma única biometria. Gêmeos univitelinos tem o mesmo DNA, por exemplo. Logo, quanto mais biometria, menor a chance de erro”.

Entre os usuários comuns, o leitor de digital deve ser a biometria que mais vai se popularizar. Não apenas porque os smartphones começam a vir com o hardware, mas porque algumas novas soluções de pagamento como Apple Pay, Android Pay e Samsung Pay criam uma demanda por essa tecnologia. Os dados do cartão estão no smartphone e a autenticação é feita com a digital. Outra aplicação de biometria que Creto vê se popularizar é a de acesso, com reconhecimento facial principalmente. “A pessoa vai chegar em casa e uma câmera vai reconhecer ele e destrancar a porta”, conta.

Na sua opinião, o Brasil é bastante aberto para testar novas tecnologias e a popularização da biometria nunca foi um problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, entregar digitais era visto como algo de criminoso, e por lá foi muito mais difícil fechar negócio. “Nenhum banco nos Estados Unidos pede digital para abrir conta. Agora, com Touch ID, da Apple, as coisas começaram a mudar”, explica. Creto lembra que até hoje algumas pessoas não sabem o que é biometria e que essa foi uma das dificuldades da empresa no começo. “A dificuldade era demonstrar valor numa época em que as pessoas não davam bola para segurança. Nos últimos anos, tem crescido muito a busca por soluções de privacidade, o acesso a informação melhorou a vida das pessoas, mas facilitou algumas fraudes, não é mais preciso sair de casa e ir no banco assaltar mão armada, pode hackear o sistema e roubar tanto quanto. Foi quando as pessoas começaram a entender que empresa começou a decolar”. Hoje, segundo ele, a Griaule é uma das quatro principais do mercado mundial e a única focada apenas em biometria, o que ele acredita ser o principal diferencial do negócio que vive a sua melhor fase.

 

fonte: Intel Brasil

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