Baianos relatam casos de racismo em salas de aula na campanha #MeuProfessorRacista


Uma campanha que busca expor casos de racismo em colégios e universidades brasileiras está viralizando na Internet. O “#MeuProfessorRacista #MinhaProfessoraRacista” é uma campanha que iniciou com o coletivo “Ocupação Preta”, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo (USP). A campanha teria sido iniciada após uma professora da faculdade ter, supostamente, feito “chacota” sobre o racismo de Monteiro Lobato. Uma aluna teria discutido a questão e a docente teria a interrompido aos gritos, de acordo com o coletivo. Na Bahia, diversos relatos foram compartilhados nas redes sociais. Uma aluna de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que preferiu não se identificar, relatou o caso que teria acontecido em 2014. Ela conta que, durante uma roda de discussão na sala de aula, um professor falou que a aluna apenas faria sucesso no jornalismo se “abaixasse seu cabelo”. “Quando isso aconteceu, eu estava no meio do processo de transição capilar. Eu usava o cabelo alisado e estava voltando para o crespo. Eu tinha dito ao professor que a televisão era uma área que eu não me interessava justamente por conta do padrão que eles têm e que eu não teria intenção de me encaixar. Foi quando o professor falou que eu tenho uma beleza exótica e que, para me encaixar, teria que abaixar o meu cabelo”, contou ela. A aluna ainda criticou o racismo nos colégios e nas universidades que, muitas das vezes, são realizados de forma velada. “O preconceito é feito de forma velada e não é só dentro da faculdade. Acontece no trabalho, na rodinha de amigos e até no ponto de ônibus. Teve uma vez que um amigo da faculdade me perguntou como eu iria alisar o meu cabelo de preto. Eu disse que era preta e ele chegou a ponderar que eu nem era tão preta assim, que era mais clarinha”, relatou. “As pessoas tem que ter cuidado com o que elas falam. Você acaba criticando o fenótipo e a genética das pessoas. Tem gente que acha engraçado, dá risada e é conivente com esse tipo de ação e tem um falso moralismo demonstrando choque quando postamos esses casos”, protesta. A estudante Amanda Pitta, estudante de Direito da Universidade Católica de Salvador (UCSal) e Diretora de Mulheres da União de Estudantes da Bahia (UEB) também utilizou da hashtag para divulgar um fato que ocorreu há cinco anos no Instituto Federal da Bahia (Ifba). “Meu professor chegou, do nada, e perguntou se eu não queria um pente de presente para pentear o meu cabelo, que é crespo. Alguns colegas riram da situação e eu acho que o professor fez isso porque a minha presença estava incomodando ele”, contou. Apesar da ação do professor e da chacota de alguns alunos, no outro dia, quando chegou ao Ifba, o corredor estava cheio de cartazes que alguns colegas fizeram em solidariedade à Amanda. “Infelizmente não me atentei a judicializar o caso na época. O que eu fiz foi divulgar no grupo do colégio no Facebook, no qual as pessoas puderam tomar conhecimento do fato. Mas a direção não tomou nenhuma ação quanto a isso”, recorda. Quanto a importância da realização da hashtag, a estudante lembra que a participação das pessoas negras no espaço acadêmico é muito recente. “A universidade não é uma bolha e as repressões também se encontram dentro dos colégios e das universidades. Essa hashtag vem com caráter de resistência e de denúncia. Nós, negros, não admitimos mais esse tratamento, essa violência. O espaço acadêmico também é nosso”, protestou.

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