As cidades mais tóxicas do mundo





Desastres ambientais enormes – geralmente causados pelo homem – já chegaram ao ponto de tornar uma cidade inteira inabitável e perigosa para os visitantes. Vários desses lugares foram abandonados depois de graves danos ambientais terem ocorrido e os moradores terem ficado extremamente doentes, se tornando verdadeiras cidades-fantasma. Grande parte dos danos e consequências tóxicas permanecem por anos, e essas cidades-fantasma, registro histórico do nosso descaso com a natureza, ainda podem ser perigosas para visitantes despercebidos.

10. Picher, EUA

Picher surgiu depois que os depósitos de chumbo e de zinco na área foram descobertos em 1914. A população cresceu rapidamente, pois os dois metais eram necessários durante a Primeira Guerra Mundial. Os mineiros de Picher ajudaram a preencher a demanda: mais de metade do chumbo e zinco utilizados durante a guerra vieram de minas locais. Eventualmente, a cidade tornou-se um dos maiores exportadores de chumbo e zinco no mundo.

Infelizmente, a mineração deixou resíduos tóxicos. Depois que a mineração parou na década de 1970, havia uma estimativa de 178 milhões de toneladas de resíduos, areia de moinho e lodo empilhadas em torno da cidade.Os habitantes da cidade não tinham ideia de que estes resíduos fossem altamente venenosos. Eles usaram o material para preencher suas calçadas e as caixas de areia de seus filhos. As famílias faziam piquenique nos montes de resíduos, as crianças andaram sobre elas com suas bicicletas e as equipes de atletismo do ensino médio treinaram sobre elas.

 Na década de 1990, um conselheiro escolar descobriu um vínculo entre dificuldades de aprendizagem e o chumbo. As crianças foram testadas e 46% dos alunos apresentaram níveis inseguros de chumbo no sangue. O governo tentou limpar a cidade, mas eles desistiram quando os sumidouros começaram a aparecer. A maioria dos edifícios da cidade corria o risco de desmoronar. O governo sabia que eles precisavam tirar as pessoas de Picher, então eles aprovaram uma compra para mudar os moradores da cidade. Quase todos partiram, embora algumas pessoas tenham preferido ficar.
A cidade ainda é tóxica. Enquanto a qualidade do ar atende aos padrões mínimos do governo, os dias ventosos sopram grandes quantidades de chumbo em toda a cidade. Mesmo a vida selvagem não está a salvo das toxinas da área. Em 2015, mais de mil aves migratórias foram encontradas mortas em Picher. Acredita-se que elas morreram de envenenamento por zinco.

9. Atol de Bikini, Ilhas Marshall

Em 1946, um membro da Marinha dos Estados Unidos falou com o povo do Atol de Bikini. Ele disse-lhes que eles eram como os israelitas, um povo escolhido, e que suas terras eram necessárias para aperfeiçoar a bomba atômica, que evitaria futuras guerras. Os moradores concordaram em deixar a ilha temporariamente.
O governo dos Estados Unidos então passou os próximos oito anos detonando bombas nas Ilhas Marshall. Eles jogaram 67 bombas ao todo, 23 das quais apenas no Atol de Bikini, incluindo uma mil vezes mais poderosa do que a bomba que destruiu Hiroshima.
No final da década de 1960, funcionários dos Estados Unidos anunciaram que a maioria dos efeitos de suas detonações nucleares desapareceram, e muitos dos moradores escolheram retornar ao Atol. Apenas dez anos se passaram até que eles começassem a notar efeitos colaterais da radiação. As mulheres tiveram muitos abortos espontâneos e várias crianças nasceram mortas. As crianças sobreviventes frequentemente apresentavam defeitos congênitos. Muitos moradores desenvolveram problemas de tireóide e uma taxa de câncer maior do que outros países.
Os cientistas encontraram altos níveis de radiação, e as pessoas do Atol de Bikini tiveram que sair de casa novamente. A ilha ainda é inabitável. Os níveis de radiação são quase o dobro do que é considerado seguro para a habitação humana.

8. Geamana, Romênia

Em 1977, Nicolae Ceausescu, ditador da Romênia, decidiu extrair um enorme depósito de cobre. O lixo tóxico da mina precisava ir a algum lugar, e Ceausescu decidiu sacrificar a cidade de Geamana. Quatrocentas famílias foram evacuadas e movidas para outro lugar. Grande parte da aldeia foi substituída por um lago artificial, que pegaria a lama contaminada da mina.
O poço de cobre de Ceausescu produziu cerca de 11 mil toneladas de cobre por ano em seu auge. O lago cresceu à medida que a mineração aumentava. Hoje, tudo o que resta da cidade é uma igreja e algumas casas, mas isso também irá mudar. O lago ainda está subindo, e cresce um metro vertical por ano. Em breve, toda a cidade desaparecerá, coberta de lodo tóxico.

O lago é venenoso. Ele contém uma variedade de produtos químicos, que tornaram partes das águas vermelhas. O lago tem dez vezes a quantidade normal de cádmio, um metal extremamente tóxico. O cádmio excessivo pode causar mutações em plantas e animais, e pode danificar o fígado, os rins e os pulmões das pessoas.

7. Nova Idria, EUA

Nova Idria foi fundada em 1854 perto da maior e uma das mais produtivas minas de mercúrio dos Estados Unidos. A mina era tão valiosa que soldados armados foram enviados para guardá-la durante a Primeira Guerra Mundial. A mineração continuou até 1971, quando a empresa que possuía a mina fechou. A cidade logo foi abandonada.
Ninguém se preocupou em limpar a mina. Há pelo menos 50 quilômetros de túneis subterrâneos que vazam água carregada com mercúrio por lá. A água contamina o rio local, que ficou com um tom laranja brilhante. A água está contaminada com mercúrio, alumínio, ferro e níquel, e é quase tão corrosiva quanto ácido de bateria.
A água poluída flui para os rios nas proximidades e infecta a vida selvagem local. As bactérias transformam o mercúrio em metilmercúrio, um dos problemas de resíduos mais graves do país. O metilmercúrio contamina os peixes. As pessoas que comem os peixes envenenados podem experimentar dor de cabeça, formigamento e tremores. Algumas pessoas, especialmente crianças, podem desenvolver danos no cérebro e no sistema nervoso.

6. Wittenoom, Austrália Ocidental

Wittenoom era a maior cidade localizada na única mina de amianto azul da Austrália. A mineração começou na década de 1940 e continuou por mais de 30 anos. Depois que a conexão entre poeira de amianto e doença pulmonar se tornou melhor compreendida, o governo australiano fechou a mina.
O amianto já havia danificado a cidade e suas pessoas. Das 20 mil pessoas que viveram e trabalharam em Wittenoom durante o período de mineração, pelo menos 2.000 morreram de doenças relacionadas ao amianto. Mesmo as pessoas que não trabalhavam nas minas foram contaminadas. As crianças que cresceram em Wittenoom são 20 a 83% mais propensas a morrer de câncer que o resto da população.
O governo considerou limpar Wittenoom, mas eles decidiram que era mais barato e mais seguro deslocar as pessoas e abandonar a cidade. Três milhões de toneladas de rejeitos – materiais finos e tóxicos deixados após o processamento do amianto – formam montes em toda Wittenoom.
Os montes não são a única fonte de amianto que permanece. Os restos de amianto foram usados ​​por décadas pelo governo local como material de construção. Estradas, oleodutos, pista de aterrissagem e campos de golfe foram preenchidos com rejeitos de amianto. As pessoas trouxeram os rejeitos para suas casas. Eles foram usados ​​em caixas de areia e para reduzir o pó ao redor da casa.
Toda a paisagem está cheia de fibras microscópicas de amianto. Se inaladas, essas fibras podem perfurar um pulmão, causando inflamação e liberando mutagênicos que promovem o crescimento tumoral. Mesmo uma exposição breve ao amianto pode causar mesotelioma e câncer de pulmão.

5. Pripyat, Ucrânia

Pripyat foi fundada a três quilômetros da central nuclear de Chernobyl. Era uma cidade modelo que foi projetada por alguns dos melhores arquitetos. Pripyat pretendia representar uma visão utópica do que o comunismo poderia ser: trabalho e vida social perfeitamente equilibrados e entrelaçados.
Em 1986, um teste de segurança errado fez com que partes de Chernobyl explodissem. Milhares de toneladas de resíduos radioativos foram enviados para o ar. A nuvem de radiação era tão tóxica que as florestas próximas simplesmente morreram.

O governo soviético esperou 36 horas para evacuar Pripyat. Muitos dos moradores já apresentavam sinais de envenenamento por radiação. Trinta e uma pessoas morreram no prazo de um mês depois do acidente de Chernobyl. Pelo menos 9.000 pessoas vão morrer pelos efeitos da radiação de acordo com a pesquisa de câncer da Organização Mundial da Saúde. O Greenpeace prevê que o número de mortes no longo prazo pode chegar a 90.000.
Pripyat é menos radioativa hoje. Grande parte da cidade é menos radioativa do que passar por um scanner de segurança do aeroporto três vezes. É improvável que uma curta visita prejudique alguém, embora seja perigoso viver perto de lá. Estudos da fauna local mostraram envenenamento por radiação em plantas e animais. As aves têm cérebros significativamente menores, as árvores crescem mais devagar e há menos insetos.

4. Treece, EUA

Treece, no Kansas, surgiu no início do século XX, após adescoberta de minério de chumbo, zinco e minério de ferro. Junto com Picher, Treece ajudou a fornecer grande parte do minério utilizado durante a Primeira Guerra Mundial. A mineração parou durante a década de 1970, mas o ambiente da cidade havia sido destruído por muito tempo.
O ar de Treece é mortal. A cidade está cercada por milhões de toneladas de resíduos de minério de chumbo e zinco. Montanhas de resíduos flanqueiam a cidade, e o vento sopra a poeira por toda a parte.
Mesmo o chão é perigoso. Anos de mineração deixaram a terra instável, e centenas de cavernas foram criadas. Os sumidouros mais antigos são preenchidos com água contaminada. Crianças, uma vez, os usaram como buracos de natação. Elas iam para casa com uma pele avermelhada, e seus pais assumiram que as crianças haviam sido queimadas pelo sol. Em vez disso, elas estavam com queimaduras químicas.
Os moradores de Treece começaram a suspeitar que o chumbo estava envenenando-os, e exames de sangue provaram que eles estavam certos. A cidade foi declarada inapropriada para habitação humana. O governo patrocinou compras para pessoas na cidade e quase todos aceitaram. Treece ainda está sendo descontaminada, mas nenhum prédio nunca mais poderá ser construído lá novamente.

3. Bento Rodrigues, Brasil

Bento Rodrigues foi a cidade mais atingida pelo maior desastre ambiental da história do Brasil. A cidade está localizada perto de uma mina de minério de ferro. O lixo da mina foi despejado em um lago próximo, e uma barragem protegia a cidade da água venenosa. Em 2015, uma parede de contenção na barragem desmoronou. Trinta e cinco milhões de litros de lama tóxica foram liberados.
Uma onda de 10 m de lama atingiu Bento Rodrigues. Toda a cidade ficou vermelha. Dois especialistas do meio ambiente das Nações Unidas examinaram a lama. Eles descobriram que ela continha altos níveis de metais pesados ​​tóxicos e outros produtos químicos venenosos. Os especialistas descobriram que a lama também contaminou a água da cidade, que continha arsênico e níveis de chumbo que estavam 10 a 20 vezes acima do limite legal do Brasil.
Os donos da mina tiveram que realocar as pessoas que moravam em Bento Rodrigues. Os moradores da cidade talvez nunca mais possam voltar para casa. Levará pelo menos 10 a 50 anos para recuperar o ambiente da área. Apesar disso, existe a possibilidade de que a comunidade nunca mais possa ser habitada.

2. Kantubek, Uzbequistão

Kantubek, uma pequena cidade localizada na ilha de Vozrozhdeniye, já foi usada pela União Soviética como uma série de testes de armas biológicas. Cientistas soviéticos trabalharam na transformação de doenças em armas e as testaram na ilha. Os cientistas levaram seus objetos de teste – vários tipos de animais – a quinze quilômetros de distância da cidade. Os animais foram então expostos a diferentes doenças antes de serem trazidos de volta ao laboratório para serem testados.

Os cientistas fizeram o seu melhor para impedir que as doenças se espalhassem. Eles pulverizaram a área de teste com veneno antes que as doenças fossem desencadeadas. No entanto, muitos roedores desapareceram, e alguns provavelmente sobreviveram. É provável que alguns desses roedores sobreviventes tenham sido expostos a bactérias de peste bubônica. As pulgas teriam transmitido a doença de geração em geração. A peste foi projetada para ser resistente aos antibióticos, e seria mortal para os seres humanos.
A peste bubônica não é a única substância perigosa na antiga ilha. Vozrozhdeniye possui uma reserva de antraz. Os Estados Unidos destruíram toneladas de esporos de antraz que foram enterrados na ilha. No entanto, sua limpeza apressada pode ter deixado alguns esporos. O Anthrax pode sobreviver durante anos enterrado no solo.

1. Centralia, EUA

Em 1962, as autoridades decidiram queimar uma enorme pilha de lixo no lixão de Centralia. Infelizmente, o depósito da cidade – e grande parte da cidade – estava localizado em cima de uma mina de carvão abandonada. Depois que o fogo consumiu o lixo, ele acendeu o carvão.
O fogo começou a se espalhar pelas minas. O monóxido de carbono começou a escorrer do solo, e as pessoas começaram a perder a consciência em suas casas. Buracos e rachaduras apareceram em toda a cidade. Depois que um menino de 12 anos caiu em um sumidouro ardente na década de 1980 – e sobreviveu – as autoridades intensificaram seus esforços para apagar o incêndio. Nada funcionou. O governo percebeu que não podia parar o fogo, e eles retiraram os moradores.
Hoje, a cidade está quase abandonada, e o fogo ainda queima. O fogo consumiu grande parte das minas, e partes delas podem entrar em colapso a qualquer momento, o que torna o chão acima perigoso para se caminhar. Mesmo o ar de Centralia é mortal. O vapor sulfuroso sopra para fora de centenas de fissuras e furos na lama. Os gases envenenam o ar e podem sufocar uma pessoa. [Listverse]

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