Aluno tem a mão marcada para não repetir merenda

Estudantes são marcados com canetas para não repetirem e afirmam que não podem comer mais de uma fruta. ‘Crianças chegam com fome’, diz mãe. Prefeitura nega.

Pais de alunos da rede municipal da cidade de São Paulo reclamam da merenda insuficiente nas escolas. Segundo eles, os filhos são marcados com canetas ao serem servidos para que não possam repetir a refeição nem as frutas.

Mãe de quatro filhos estudantes do CEU Rosa da China, na Zona Leste, Genilde Lopes da Silva afirma que na segunda semana de aula, professores disseram diretamente para os alunos que a merenda seria controlada.

Matheus, de 9 anos, lembra do comunicado. “Ela disse que não poderia mais repetir no lanche e que para repetir no almoço ia ter que esperar todo mundo comer.”

Segundo Genilde, a informação passada aos pais é de que a empresa que fornece alimentação mudou. “As crianças estão chegando com muita fome. Senão tiver a janta pronta, eles choram. O que foi passado é que eles recebem por porção, por prato. E não colocam mais o tanto que colocavam. Estão colocando menos”, reclama.

Na EMEI Ruth Gonçalves Chaves de Siqueira, no Jardim Matarazzo, na Zona Leste, as novas regras de alimentação foram anunciadas em uma reunião com os pais, no início de agosto. Para a mãe Vivian Hengler, mudar a salsicha por carne de porco é uma boa troca, mas a proibição de repetir a fruta na sobremesa não foi uma boa mudança.

“Eles alegam que é para estar reduzindo a obesidade infantil. Ela [filha] adora fruta e não se contenta em comer uma fruta apenas. Então eu fico preocupada como que ela fica, ela querendo comer de novo e não poder”, afirma Vivian.

Os pais também reclamam que o bolo de aniversariantes do mês foi cortado. Agora, só tem festa para as crianças, se os pais trouxerem bolo de casa. As crianças também não podem mais repetir o café da manhã – café com leite ou chocolate com bolacha ou bisnaguinha.

A mãe de aluno e técnica de nutrição Andressa Lopes Mantuani reclama das mudanças. “Tem muita criança que tem o hábito de comer um pouco a mais, pelo fato de não ter essa alimentação em casa. Não é pelo fato de gostar, mas de não ter o que comer em casa.”

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a merenda oferecida “fornece no mínimo 70% das recomendações nutricionais para alunos da educação infantil e no mínimo 30% no ensino fundamental”.

Informou ainda que “semanalmente, são oferecidas cinco fontes de proteínas variadas, entre elas carne bovina, suína, aves, pescados e ovos” e que “as frutas, oferecidas como sobremesa, podem ser repetidas à vontade”.

O prefeito João Doria afirmou nesta segunda-feira (21) que as escolas podem não ter entendido a determinação e que “os produtos que representam saudibildiade paras crianças podem e devem ser acessados livremente sem qualquer tipo de restrição”.

A nutricionista da Associação Brasileira de Estudo de Obesidade, Clarissa Fujiwara, afirmou que a obesidade é um conjunto de fatores que vão além de controlar a merenda e que é preciso criar ambientes de alimentação mais equilibrada, incentivar as crianças a comer verduras e frutas e nunca diminuir a oferta desses alimentos.

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