Alguns sociólogos e filósofos contemporâneos

Émile Durkheim foi um dos responsáveis por tornar a sociologia uma matéria acadêmica, sendo aceita como ciência social. Durante sua vida, publicou centenas de estudos sociais, sobre educação, crimes, religião, e até suicídio.Émile Durkheim

Um dos focos de Durkheim era em como as sociedades poderiam manter a sua integridade e coerência na era moderna, quando as coisas como religião e etnia estavam tão dispersas e misturadas. A partir disto, ele procurou criar uma aproximação científica para os fenômenos sociais. Descobriu a existência e a qualidade de diferentes partes da sociedade, divididas pelas funções que exercem, mantendo o meio balanceado. Isto ficou conhecido como a teoria do Funcionalismo.

Também falava que a sociedade é mais do que a soma de suas partes. Ao contrário de Max Weber, ele não estava focado no que motivava as ações individuais das pessoas (individualismo), mas no estudo dos “fatos sociais”, termo criado por ele mesmo que descreve os fenômenos que não são limitados apenas a uma pessoa. Os fatos sociais tem uma existência independente e mais objetiva do que as ações individuais, e podem somente ser explicados por outros fatos sociais, como a região onde a sociedade está submetida, governos, etc.

Discutiu o fato de que na sociedade moderna, a divisão do trabalho ser bem maior do que antes. Várias classes de funcionários foram criadas nas fábricas. Numa linha de produção, um trabalhador não precisa saber de todo o processo de fabricação do produto, apenas da parte que lhe foi conferida. Isto gerou uma dependência cada vez maior. Antes, o fazendeiro trabalhava na sua propriedade auto-suficiente, sem depender de outros grupos de trabalhadores para alimentar as necessidades. Agora, o trabalhador ganha seu dinheiro, e tem de confiá-lo a outros grupos para poder se manter (roupas, alimentação, etc).

Livros de Émile Durkheim:

  • Da divisão do trabalho social, 1893;
  • Regras do método sociológico, 1895;
  • O suicídio, 1897;
  • Sociedade e trabalho, 1907;
  • As formas elementares de vida religiosa, 1912;

 

Max Weber (Maximilian Weber)

Foi um economista e sociólogo alemão, e é considerado atualmente um dos fundadores do estudo moderno da sociologia e administração pública. Começou sua carreira na Universidade de Berlin, e depois passou para várias outras instituições. Teve grande influência política na Alemanha, sendo um dos negociadores de seu país no Tratado de Versalhes, e membro da comissão que criou a Weimar Constitution, a Constituição do Estado Alemão. Ele foi o responsável pela inserção do Artigo 48 nesta constituição, que mais tarde foi usado por Adolf Hitler para reprimir a oposição e conseguir poderes ditatoriais. Até hoje as contribuições de Weber para a política alemã continuam controversas.

Seus maiores trabalhos foram nas áreas da Racionalização e Sociologia da Religião e Governo, mas também contribuiu para o campo da economia. Sua obra mais famosa é a “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, que deu início ao seu estudo religioso. Na obra ele fala que a religião foi um dos motivos para os diferentes caminhos que o desenvolvimento tomou no Ocidente e o Oriente.

Para ele, os protestantes se deram bem na vida pois não acreditavam que apenas rezar, realizar rituais, participar da igreja garantiria um lugar no céu, e passaram a trabalhar mais para conseguir este objetivo, ao contrário dos católicos.

 

Auguste Comte e a Lei dos Três Estados

Foi um filósofo francês, nascido em Montpellier em 1798. Começou sua carreira ensinando matemática, depois tornou-se secretário de Saint-Simon. Nesta época, começou a escrever o livro Curso de filosofia Positiva, que seria uma filosofia das ciências. De um lado, procede a uma classificação das ciências, por ordem de complexidade, de outro, formula a Lei dos Três estados, que caracterizam períodos da história humana.

A LEI DOS TRÊS ESTADOS

Os três estados, de acordo com a história humana, são:

Teológico: o estado onde Deus está presente em tudo, as coisas acontecem por causa da vontade dele. As coisas sem explicação são explicadas pura e simplesmente por Deus. Esse estado tem outras três divisões:

  • Animismo: as coisas da natureza tem sua própria “animação”, acontecem porque desejam isto, não por fatores externos, têm vida própria.
  • Politeísmo: os desejos dos deuses são colocados em objetos, animais ou coisas.
  • Monoteísmo: os desejos do Deus (único), são expostos em coisas, acontecimentos.

Metafísico: no qual a ignorância da realidade e a descrença num Deus todo poderoso levam a crer em relações misteriosas entre as coisas, nos espíritos, como exemplo. O pensamento abstrato é substituído pela vontade pessoal.

Positivo: a humanidade busca respostas científicas todas as coisas. Este estado ficou conhecido como Positivismo. A busca pelo conhecimento absoluto, esclarecimento sobre a natureza e seus fatos. É o resultado da soma dos dois estágios anteriores.

 

Talcott Parsons

Sociólogo americano nascido em Colorado Springs, Colorado, que em sua obra procurou unir a sociologia à antropologia social e à psicologia clínica, de modo a fornecer uma análise geral dos fundamentos da sociedade. Graduou-se no Amherst College, fez pós-graduação na Escola de Economia de Londres e doutorou-se na Universidade de Heidelberg, Alemanha (1927).

Voltou para os Estados Unidos e ensinou economia e sociologia na Universidade de Harvard (1928-1973). Assumiu a direção do recém-criado Departamento Interdisciplinar de Relações Sociais de Harvard (1946) e passou a presidir a Sociedade Americana de Sociologia (1949). Até sua morte em Munique, Alemanha, escreveu vários livros, sendo os mais importantes The Structure of Social Action (1937) e The Social System (1951).

 

Charles Wright Mills

Charles Wright Mills (1916-1962) foi um sociólogo, pesquisador e professor norte-americano, autor da obra “A Imaginação Sociológica”, um importante trabalho publicado em 1959.

Charles Wright Mills (1916-1962) nasceu em Waco, Texas, nos Estados Unidos, no dia 28 de agosto de 1916. Foi aluno da Texas A & M University, universidade de pesquisas educacionais, onde permaneceu durante um ano. Em 1939 concluiu a Universidade do Texas, em Austin e em 1941 recebeu seu doutorado em Sociologia pela Universidade de Wisconsin-Madison.

 Depois de formado, Mills foi nomeado professor de Sociologia na Universidade de Maryland. Quatro anos depois trabalhou como pesquisador na Columbia University’s Bureau of Appled Social Research. Em seguida assumiu o cargo de professor no departamento de sociologia, onde permaneceu até sua morte.

O foco de suas pesquisas estava concentrado na desigualdade social, no poder das elites, no declínio da classe média, e na relação entre os indivíduos e a sociedade, como também na importância de uma perspectiva histórica, como parte fundamental do pensamento sociológico.

A mais influente obra de Charles Wright Mills foi “A Imaginação Sociológica” (1959), obra que procura conscientizar, não só os sociólogos, mas a todos os envolvidos, das ligações existentes entre o ambiente social pessoal imediato e o mundo social impessoal que está em sua volta e que colabora para moldar as pessoas.

Para Mills, os três componentes que formam a imaginação sociológica são: a História, a Biografia e a Estrutura Social, que permitem um olhar para além de seu ambiente local, no sentido de fornecer informações e desenvolver razões, a fim de se perceber com lucidez o que está acontecendo no mundo e como está refletindo dentro de si mesmo.

Outras publicações importantes de Charles Wright Mills são: “As Causas da Terceira Guerra Mundial” (1958), “A Revolução em Cuba” (1960) e “Os Marxistas” (1962).

Charles Wright Mills faleceu em Nyack, Nova York, nos Estados Unidos, no dia 20 de março de 1962.

 

Karl Marx

Karl Marx (1818–1883) foi um filósofo e revolucionário socialista alemão. Criou as bases da doutrina comunista, onde criticou o capitalismo. Sua filosofia exerceu influência em várias áreas do conhecimento, tais como Sociologia, Política, Direito, Teologia, Filosofia, Economia, entre outras.

Karl Marx (1818-1883) nasceu em Trèves, cidade ao sul da Prússia, funto às fronteiras da França, no dia 5 de maio de 1818. Filho de Herschel Marx, advogado e conselheiro da justiça, descendente de judeu, era perseguido pelo governo absolutista de Frederico Guilherme III. Em 1835 concluiu o curso ginasial no Liceu Friedrich Wilhelm. Ainda nesse ano e boa parte de 1836, Karl estudou Direito, História, Filosofia, Arte e Literatura na Universidade de Bonn.

No final de 1836, vai para Berlim, onde se propagam as ideias de Hegel, destacado filósofo e idealista alemão. Marx se alinha com os “hegelianos de esquerda”, que procuram analisar as questões sociais, fundamentados na necessidade de transformações na burguesia da Alemanha. Entre 1838 e 1840, dedica-se a elaboração de sua tese. Doutorou-se em Filosofia em 1841, na Universidade de Iena, com a tese “A Diferença Entre a Filosofia da Natureza de Demócrito e a de Epicuro”.

Por motivos políticos, Karl não é nomeado professor, as universidades não aceitam mestres que seguem as ideias de Hegel. Desiludido, dedica-se ao jornalismo. Escreve artigos para os Anais Alemães, de seu amigo Arnold Ruge, mas a censura impede sua publicação. Em outubro de 1842, muda-se para Colônia, e assume a direção do jornal Gazeta Renana, mas logo após a publicação do artigo sobre o absolutismo russo, o governo fecha o jornal.

Em julho de 1843, casa-se com Jenne, irmã de seu amigo Edgard von Westphalen. O casal muda-se para Paris, onde Marx junto com Ruge funda a revista “Anais Franco Alemães”, e publica os artigos de Fredrich Engels. Publica também “Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” e “Sobre a Questão Judaica”. Ingressa numa sociedade secreta, mas é expulso da cidade.

Em fins de 1844, Marx começa a escrever para o “Vornaerts”, em Paris. As opiniões desagradam o governo de Frederico Guilherme V, imperador da Prússia, que pressiona o governo francês a expulsar os colaboradores da publicação, entre eles Marx e Engels. Em fevereiro é obrigado a sair da França e vai para a Bélgica.

Dedica-se a escrever teses sobre o socialismo e mantém contato com o movimento operário europeu. Funda a “Sociedade dos Trabalhadores Alemães”. Junto com Engels, adquirem um semanário e se integram à “Liga dos Justos”, entidade secreta de operários alemães, com filiais por toda a Europa. No Segundo Congresso da Liga, são solicitados para redigir um manifesto.

No dia 21 de fevereiro de 1848, com base no trabalho de Engels, Os Princípios do Comunismo, Marx escreve o “Manifesto Comunista”, onde esboça suas principais ideias com a luta de classe e o materialismo histórico. Critica o capitalismo, expõe a história do movimento operário, e termina com um apelo pela união dos operários no mundo todo. Pouco tempo depois, Karl e sua mulher são presos e expulsos da Bélgica.

Depois de vários exílios e privações, Max finalmente se instala em Londres. Apesar da crise, em 1864 funda a “Associação Internacional dos Trabalhadores”, que fica conhecida como “Primeira Internacional”. Com a ajuda de Engels, publica em 1867, o primeiro volume de sua mais importante obra, “O Capital”, em que sintetiza suas críticas à economia capitalista.

Karl Heinrich Marx morreu em Londres, Inglaterra, no dia 14 de março de 1883.

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